Asmaa Waguih/Reuters
Asmaa Waguih/Reuters

Protesto no Egito pede pena de morte para o ex-ditador Hosni Mubarak

Ex-presidente foi condenado neste sábado à prisão perpétua pela morte de 850 pessoas

Reuters e AP,

02 de junho de 2012 | 21h58

CAIRO - Milhares de egípcios fecharam neste sábado, 2, os acessos à Praça Tahrir, no Cairo, para protestar contra o fato de o ex-presidente Hosni Mubarak e o ex-ministro do Interior Habib el-Adly não terem sido condenados à morte. Muitos descontentes aproveitaram a decisão para protestar contra Ahmed Shafiq, aliado de Mubarak, que disputa o segundo turno, marcado para dia 16 e 17.

Sem que fossem incomodados pelas forças de segurança, os manifestantes montaram barricadas e fizeram barreiras humanas para evitar a passagem de veículos. Insatisfeita com a pena de prisão perpétua, a multidão gritava expressões de ordem como “O povo quer executar Mubarak” ou “Nula”, em referência à decisão do Tribunal Penal do Cairo de absolver os filhos do ex-ditador, Alaa e Gamal, das acusações de corrupção.

Protestos. Um dos pontos de maior tensão estava no começo da Rua Mohamed Mahmoud, que leva à sede do Ministério do Interior e foi palco de uma sangrenta batalha com a polícia em novembro de 2011. Para impedir a entrada de autoridades no prédio e o confronto com forças de segurança, os manifestantes formaram barreiras humanas para isolar o local.

“Não queremos problemas. Temos de protestar e fazer nossa voz ser ouvida, porque a sentença foi injusta e ilegítima”, disse Mohamed Mahfuz, um dos voluntários que formavam a barreira humana.

Desconfiança. O comerciante Yasser Ali, que estava com um cartaz com as fotos de Mubarak e de Shafiq, afirmou estar “desiludido” por acreditar que o processo foi um “julgamento político e injusto”. “Se Shafiq for eleito presidente do Egito, a primeira coisa que fará será colocá-lo em liberdade”, afirmou. Shafiq foi primeiro-ministro de Mubarak e é casado com uma irmã da esposa do ex-ditador. Ele disputará o segundo turno das eleições presidenciais egípcias contra o candidato islâmico Mohamed Morsy, da Irmandade Muçulmana.

Segundo a TV estatal, ao mesmo tempo em que ocorriam os protestos no Cairo, cerca de 7 mil pessoas se mobilizaram nas ruas da cidade de Alexandria, no norte do Egito, carregando bandeiras e alçando suas mãos com sapatos em sinal de desprezo a Shafiq e a Mubarak. Marchas semelhantes também foram registradas em Porto Said e Suez.

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