Protestos deixam 90 feridos no norte do Iraque

Pelo menos 90 pessoas ficaram feridas na segunda-feira em mais um dia de confrontos entre manifestantes e forças de segurança em Sulaimaniya, no norte do Iraque, segundo fontes médicas e policiais.

REUTERS

18 de abril de 2011 | 20h28

O descontentamento popular na região semiautônoma do Curdistão iraquiano tem como alvo o governo regional, dominado há duas décadas por dois partidos políticos que transformaram suas milícias em forças de segurança oficiais.

Essas forças dispararam tiros e usaram gás lacrimogêneo para tentar dispersar os manifestantes, ferindo 29 deles. Pelo menos 61 policiais foram atingidos por pedras e outros objetos, segundo as fontes policiais e médicas.

No domingo, pelo menos 35 pessoas haviam ficado feridas em Sulaimaniya, segunda maior cidade da região e epicentro de repetidos protestos desde fevereiro.

Em Arbil, a capital regional, dezenas de estudantes tentaram realizar um ato político perto de uma universidade, mas foram reprimidos pelas forças de segurança, conforme relato de um parlamentar curdo à Reuters.

"Vi muitos manifestantes deitados no chão e sendo espancados pelas forças de segurança", contou o político Mohammed Kiyani. "Quando tentei parar o espancamento de manifestantes deitados no chão, a polícia me cercou. Fui espancado e colocado à força em um veículo policial."

Kiyani disse que foi libertado porque um policial o reconheceu como membro do parlamento.

Rekawt Hama Rasheed, diretor geral do escritório de saúde em Sulaimaniya, disse que nove manifestantes foram baleados.

"O número de agentes das forças de segurança atendidos no hospital é de 61. Eles ficaram feridos por apedrejamento", afirmou o médico. "Há nove manifestantes feridos por tiros, um deles em estado crítico, além de outros 20 manifestantes feridos por bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes."

A maioria dos feridos se negou a aceitar a internação no hospital, por medo de que fossem presos, segundo testemunhas e fontes hospitalares.

O presidente do Curdistão, Masoud Barzani, anunciou no mês passado planos para aprovar reformas, mas os manifestantes consideraram que as propostas ficaram aquém das suas reivindicações.

O Iraque tem sido atingido por protestos nacionais nas últimas semanas, inspirados pelas revoltas em outros países do mundo árabe. Os manifestantes têm exigido melhoria nos serviços públicos e combate à corrupção, mas em geral não pleiteiam a derrubada do governo nacional, empossado em dezembro, com base nos resultados das eleições de março de 2010.

A Anistia Internacional disse na semana passada que as autoridades usaram força excessiva contra manifestantes pacíficos no Iraque.

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