Protestos marcam funeral de aiatolá dissidente no Irã

Uma multidão acompanhou na segunda-feira, gritando slogans contra o governo, o funeral do aiatolá iraniano Hossein Ali Montazeri na cidade sagrada de Qom, segundo sites locais.

PARISA HAFEZI E FREDRIK DAHL, REUTERS

21 de dezembro de 2009 | 10h24

Montazeri, que morreu na noite de sábado aos 87 anos, vítima de ataque cardíaco, era considerado o patrono espiritual do movimento oposicionista que se consolidou depois da polêmica eleição presidencial de junho e que resiste aos reiterados esforços do governo para dissolvê-lo.

O site reformista Norooz disse que as forças de segurança entraram em confronto com manifestantes que atiravam pedras, perto da casa de Montazeri. As autoridades não se manifestaram, e não foi possível confirmar o relato, já que a imprensa estrangeira está proibida de cobrir as manifestações e foi orientada a não viajar a Qom para o funeral de Montazeri.

Outro site reformista, o Jaras, disse que centenas de milhares de pessoas participaram do cortejo fúnebre de Montazeri, que foi um dos mentores da Revolução Islâmica de 1979, mas depois passou a contestar a atual liderança clerical conservadora, que segundo ele havia perdido sua legitimidade.

"Montazeri, inocente, seu caminho será seguido mesmo que o ditador faça chover tiros sobre a nossa cabeça", gritava a multidão.

A morte do clérigo ocorreu em um momento tenso, no qual o governo tenta impedir que a celebração xiita da Ashura, no domingo que vem, seja usada pelos manifestantes para amplificar seus protestos.

Os admiradores de Montazeri que foram à segunda mesquita mais sagrada do Irã também gritavam os nomes "Hossein, Mirhossein", numa alusão ao dirigente oposicionista Mirhossein Mousavi.

Os gritos deles ecoam o tradicional lamento da Ashura por Hossein, neto do profeta Maomé que morreu em uma batalha no século 7, fato que selou o cisma entre sunitas e xiitas.

A Ashura, ocasião importante do calendário xiita, também coincidirá com o sétimo dia de luto por Montazeri, de modo que será difícil para as autoridades tirar as pessoas das ruas.

A tropa de choque já está mobilizada em Qom, 125 quilômetros ao sul de Teerã. De acordo com relato do site Ayande, ligado ao político conservador Mohsen Rezaie, membros da milícia pró-governo Basij passaram pela rua gritando: "Que vergonha, hipócritas, deixem a cidade de Qom." Segundo esse relato, os participantes do funeral reagiram dizendo: "O que aconteceu com o dinheiro do petróleo? Foi para os basijis."

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