Protestos no Iraque por melhores serviços deixam 10 mortos

Milhares de iraquianos saíram às ruas nesta sexta-feira em todo o país no "Dia de Fúria" em protesto contra a corrupção e a falta de serviços básicos. Ao menos 10 pessoas morreram em confrontos com forças de segurança.

KHALID AL-ANSARY, REUTERS

25 de fevereiro de 2011 | 17h46

Outras pessoas ficaram feridas em um tumulto quando os manifestantes tentaram atacar prédios do governo, e guardas atiraram para tentar dispersá-los.

Não há relatos de ataques insurgentes contra os manifestantes, apesar de o primeiro-ministro Nuri al-Maliki ter advertido que militantes da rede Al Qaeda e outros poderiam tentar interromper os protestos.

Maliki prometeu não ignorar as exigências dos manifestantes.

"Gostaria de assegurar a todas as nossas pessoas que nada do que eles protestaram será em vão", disse ele em comunicado. "Vou acompanhar pessoalmente a implementação de todos os assuntos sob minha autoridade como primeiro-ministro."

Os confrontos mais violentos entre manifestantes e forças de segurança ocorreram em áreas conturbadas de Hawija e Mosul, no norte e no sul de Basra.

As manifestações foram inspiradas nas revoltas que varrem outros países do mundo árabe, embora no caso iraquiano o foco não seja reivindicar a mudança do regime.

Com cartazes e bandeiras iraquianas, centenas de pessoas afluíram à praça Tahrir, em Bagdá, que estava sob forte segurança. A ponte Jumhuriya, perto dali, foi bloqueada, e veículos foram proibidos de circular na capital.

"Estamos aqui para mudar para melhor a situação do país. O sistema educacional é ruim. O sistema de saúde também é ruim. Os serviços vão de mal a pior", disse Lina Ali, 27 anos, que participa de um grupo juvenil de protesto no Facebook.

"Não há água potável, não há eletricidade. O desemprego está crescendo, e isso pode empurrar os jovens para atividades terroristas", disse ela.

Oito anos depois da invasão norte-americana que depôs o presidente Saddam Hussein, o desenvolvimento no Iraque continua lento, e há escassez de alimentos, água, eletricidade e empregos.

"Nossa manifestação é pacífica", disse Ali, segurando um ramalhete de flores. "Queremos que o governo ouça nossas vozes, o governo que escolhemos. Eles deveriam oferecer serviços ao povo. Outros países estão pressionando pela mudança, então por que ficaríamos em silêncio?"

Os protestos desta sexta-feira foram organizados principalmente por meio da rede social Facebook, a exemplo do que aconteceu com as manifestações que acabaram derrubando os governos da Tunísia e Egito nas últimas semanas.

Cidades grandes e pequenas do Iraque vêm registrando um aumento nos protestos desde o começo do ano. Várias pessoas já foram mortas e feridas em confrontos envolvendo manifestantes e forças de segurança.

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