Putin alerta potências sobre intimidar Irã com sanções

Para premiê russo, medida é muito 'prematura' e só deve ser tomada se negociações falharem completamente

Reuters,

14 de outubro de 2009 | 12h21

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, alertou as grandes potências nesta quarta-feira, 14, que intimidar o Irã com a possibilidade da imposição de sanções pode minar as negociações sobre o programa nuclear da República Islâmica e disse que a medida contra o país é "prematura".

 

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"Não há necessidade de assustar os iranianos", disse Putin em Pequim, onde está para firmar contratos no setor energético com a China. "Precisamos chegar a um compromisso. Se um compromisso não for encontrado, e as discussões acabarem em um fiasco, então veremos" que as negociações sobre imposição de sanções "é prematura", concluiu o premiê russo.

 

Putin afirmou que esta também é a posição do presidente russo, Dmitri Medveded, apesar de este não ter descartado recentemente a possibilidade de que a comunidade internacional se veja diante da necessidade de impor sanções ao Irã

 

Assim com a China, a Rússia se recusa há tempos a impor novas sanções ao Irã caso Teerã falhe em esclarecer seu programa nuclear suspeito, mas Moscou indicou recentemente que a posição russa pode estar mudando depois que Teerã divulgou um local secreto de enriquecimento de urânio perto da cidade sagrada de Qom.

 

O próximo estágio das conversações acontece no dia 19 deste mês, quando funcionários do Irã, EUA, Rússia, França e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), devem se encontrar em Viena para trabalhar no acordo sob o qual Teerã disse estar pronto para comprar urânio do exterior. Além disso, representantes da AIEA devem inspecionar a nova usina nuclear no dia 25.

 

O governo russo também foi o primeiro a se manifestar sobre a possibilidade de enriquecer urânio até níveis considerados seguros para produção de energia elétrica e repassá-lo ao Irã, para que não haja a possibilidade de produção e armas nucleares.

 

Acordo com a China

 

Sobre os acordos com a China, Putin afirmou que a Rússia não se opõe à ideia de vender seu gás em rublos (moeda russa) e estaria feliz em pagar em iuanes (moeda chinesa) suas compras de bens da China. O premiê também afirmou que os chineses propuseram a abertura de um debate sobre um eventual lançamento de um sistema eletrônico internacional de pagamentos com uma moeda comum. Atualmente, o dólar é a principal moeda para o comércio internacional.

 

As grandes nações produtoras de petróleo negaram este mês em um artigo de um diário britânico que haviam dito que os países árabes estariam mantendo negociações secretas com Rússia, china, Japão e França para substituir o dólar por outras moedas no comércio de petróleo.

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