Putin chega ao Irã para negociar programa nuclear

Presidente russo aposta em diálogo para impasse iraniano e, em discurso, critica ação militar contra o país

Associated Press e Reuters,

16 de outubro de 2007 | 07h42

O presidente russo, Vladimir Putin, disse em Teerã nesta terça-feira, 16, que nenhum país da região do mar Cáspio deve permitir que seu território seja usado para atacar um vizinho. A declaração parece ser resposta a ameaças de potências ocidentais sobre uma ação militar contra o Irã.  Veja também: Ahmadinejad propõe bloco econômico entre países do Cáspio  Países do Cáspio se recusam a servir de base contra o Irã Putin chegou ao Irã em uma visita histórica para negociar com Teerã sobre o seu programa nuclear e participar de um encontro com representantes da região do Cáspio.  "Não deveríamos nem pensar em fazer o uso da força nesta região", disse Putin. O Irã já declarou diversas vezes que não vai interromper suas atividades nucleares. Os comentários de Putin podem ser destinados ao Azerbaijão. A imprensa russa especula que os EUA estariam tentando negociar com aquele país sobre o direito de usar instalações militares na área, mas autoridades locais negam isso. A viagem, a primeira de um líder do Kremlin ao Irã desde a Segunda Guerra Mundial, é realizada em meio ao alerta de um possível plano de atentado contra a vida do presidente russo. O ministro de Relações Exteriores iraniano, Mohammad Ali Hosseini, disse que os boatos estariam sendo disseminados por inimigos de Teerã com a intenção de minar a boa relação entre a Rússia e o Irã. Putin aposta que uma rodada de negociações diplomáticas pessoais possa oferecer alguma solução para o impasse internacional gerado pelo projeto nuclear do Irã. Putin participou da segunda cúpula de países banhados pelo Cáspio, onde o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, se encarregou do discurso inaugural. Depois da conferência multilateral, Putin se reuniria com Ahmadinejad e com o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em dois esperados encontros nos quais, além das relações bilaterais, estava prevista a discussão das aspirações do regime iraniano na área nuclear. O dirigente russo disse que a paciência e as negociações representam as melhores ferramentas para tratar com o Irã, acrescentando que tentar intimidar o governo iraniano seria uma medida "sem futuro". A Rússia é um dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU que adotaram posições mais compreensivas com o Irã, embora, em mais de uma ocasião, tenha repetido sua oposição a que o Irã consiga a bomba nuclear.

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