Putin diz que não há provas de armamento nuclear do Irã

Premiê russo duvida da intenção armamentista do governo iraniano; porta-voz reclama da pressão da AIEA

EFE

31 de maio de 2008 | 12h29

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou que "nada indica" que o Irã tenta obter arma nuclear, e assegurou que por enquanto o país não violou "qualquer plano jurídico". "Não acredito e nada indica que o Irã tente possuir uma arma nuclear", disse Putin em entrevista publicada neste sábado, 31, pelo jornal Le Monde.  Os iranianos são "orgulhosos", querem gozar de sua independência e utilizar "seu direito legítimo" à energia nuclear civil, disse Putin, taxativo em sua afirmação de que "em um plano jurídico Teerã não violou nada por enquanto". O premiê acrescentou que o Irã "inclusive tem o direito de enriquecer (urânio). Os documentos dizem isso". "O Irã é reprovado por não ter mostrado todos os seus programas à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Esse ponto aindaprecisa ser resolvido", disse. Putin duvida da ousadia do governo iraniano. "Utilizar a arma nuclear em uma região tão pequena como o Oriente Médio seria sinônimo de suicídio", afirmou.   Pressão internacional O porta-voz da Presidência do Irã, Gholam Hosein Elham, afirmou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sempre foi pressionada quanto a suas decisões sobre o caso nuclear iraniano. Segundo a agência semi-oficial iraniana Mehr, Elham fez esta declaração em reação ao recente relatório do diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, em que este ressalta a falta de cooperação de Teerã. "A AIEA sempre esteve sob pressões e nós queremos que este organismo, como entidade internacional, atue de forma independente", disse Elham. Sobre a suspensão do enriquecimento de urânio exigida pela comunidade internacional, o funcionário disse que este é "um assunto do passado" e que "a República Islâmica do Irã tem uma postura clara a respeito do tema". A AIEA acaba de publicar um relatório no qual denuncia a recusa da República Islâmica do Irã de responder a suas perguntas sobre a possível dimensão militar de seu programa atômico. O Conselho de Segurança da ONU já adotou três resoluções de sanções contra o Irã por sua negativa a suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Os países ocidentais suspeitam de que o Irã tenta com esse programa obter armamento nuclear, o que é negado por Teerã. Na última terça-feira, o ex-negociador iraniano em matéria nuclear, Ali Larijani, recém-nomeado presidente do Parlamento, acusou a AIEA de "conspirar com as grandes potências" contra as atividades atômicas iranianas. Larijani advertiu que seu país revisaria sua cooperação com a AIEA "caso as políticas enganosas" desta agência da ONU continuassem.

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