Quarteto para o Oriente Médio elogia relaxamento do bloqueio a Gaza

Agência para refugiados da ONU pede fim do embargo imposto por Israel sobre território palestino

estadão.com.br e Reuters

21 de junho de 2010 | 16h12

NOVA YORK - O Quarteto para o Oriente Médio, composto por EUA, União Europeia, Rússia e Organização das Nações Unidas (ONU), saudou a flexibilização do bloqueio à Faixa de Gaza anunciado neste final de semana pelo governo de Israel, mas destacou a importância de sua implementação, segundo um comunicado divulgado nesta segunda-feira, 21, de acordo com informações da agência AFP.

 

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"A nova política anunciada pelo governo de Israel para Gaza é bem-vinda. É importante a elaboração detalhada dos modos de implementação para garantir a eficácia da nova política", diz o comunicado.

 

"A aplicação completa e eficaz implicará em um significativo avanço estratégico até o cumprimento das necessidades da população de Gaza de itens humanitários e comerciais, de reconstrução civil e infraestrutura e de legitimação das atividades econômicas, assim como as necessidades de segurança de Israel", afirma o texto.

 

Israel informou no domingo que autorizará a entrada de "todos os bens para uso civil" à Faixa de Gaza, exceto "equipamentos militares e o material que possa reforçar a máquina de guerra do Hamas", o movimento islâmico que controla o território palestino.

 

As pressões para que Israel encerre o embargo sobre Gaza começaram desde que militares israelenses atacaram uma frota que levava ajuda humanitária à região em 31 de maio, quando nove civis morreram.

 

Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o Hamas tomou o controle do território à força, em 2007. O Hamas não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado por este país, pelos EUA e pela União Europeia como uma organização terrorista.

 

Fim do bloqueio

 

A agência de refugiados da ONU disse também nesta segunda que nada menos do que a suspensão completa do bloqueio a Gaza permitirá que o território seja reconstruído.

"Necessitamos a suspensão total do bloqueio," afirmou o porta-voz da agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA), Christopher Gunness. Ele falou à Reuters nos bastidores de uma conferência no Cairo.

"A estratégia israelense é fazer a comunidade internacional falar sobre um saco de cimento aqui, um projeto ali. Precisamos de acesso irrestrito em todos os postos de fronteira."

Doadores internacionais numa conferência no Egito prometeram US$ 2,8 bilhões de dólares para a reconstrução de Gaza depois da guerra, mas o bloqueio tem dificultado a entrada de material de construção.

Gunness disse não estar confiante de que o novo sistema israelense resolveria as dificuldades enfrentadas pela UNRWA. "A lista de produtos sob restrição é um alvo em movimento. Nunca nos dizem isso é proibido e aquilo é proibido," afirmou ele. "O bloqueio de Israel virou um bloqueio contra a ONU."

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