Racionamento de gasolina provoca protestos no Irã

Desde a meia noite motoristas só podem comprar 100 litros de combustível por mês

Agencia Estado

27 Junho 2007 | 14h43

Pelo menos um posto de gasolina foi incendiado na capital iraniana, Teerã, em protesto contra a decisão do governo de racionar combustíveis para motoristas particulares. O anúncio de que os motoristas poderão comprar no máximo cem litros de combustível por mês foi feito apenas duas horas antes da meia-noite de terça-feira (17h30 pelo horário de Brasília), prazo para o início do racionamento. Segundo a correspondente da BBC em Teerã, Frances Harrison, a pouca antecedência do anúncio provocou revolta e frustração. Há grandes filas por toda a cidade e relatos de tumulto em postos de gasolina, onde os motoristas tentavam abastecer antes da entrada em vigor do racionamento. A gasolina no Irã é altamente subsidiada e vendida por cerca de um quinto do seu valor real. Até agora, não há nenhuma informação sobre a possibilidade de os motoristas comprarem o combustível além da cota pelo valor real de mercado. Sanções Apesar de abrigar grandes reservas de petróleo, o Irã não tem capacidade de refino suficiente e é obrigado a importar cerca de 40% do combustível que consome. Os temores em relação a possíveis sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) por causa de seu programa de enriquecimento de urânio levaram o governo iraniano a tentar controlar o consumo de combustível no país. O governo teme que os países ocidentais decidam impor sanções sobre as importações de petróleo do Irã, prejudicando sua economia. Os Estados Unidos lideram os esforços para pressionar o Irã a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio e acusam o país de planejar fabricar armas nucleares. O governo iraniano afirma que seu programa nuclear é pacífico e tem como único objetivo a produção de energia. Segundo a correspondente da BBC em Teerã, o racionamento de combustível deverá aumentar ainda mais a inflação e o custo de vida. Harrison afirma que é uma medida arriscada para qualquer governo eleito, principalmente em um país rico em petróleo como o Irã, onde as pessoas pensam que ter acesso a combustível barato é um direito e onde o transporte público é muito limitado.

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