Radicais palestinos matam quatro israelenses na Cisjordânia

Netanyahu e Abbas estão a caminho dos EUA, onde relançam negociações de paz na quarta-feira

estadão.com.br

31 de agosto de 2010 | 14h05

    Colono conversa com policial palestino após ataque. Foto: Abed al-Hashlamoun/Efe  

JERUSALÉM - Quatro israelenses foram mortos por radicais palestinos em uma emboscada na Cisjordânia nesta terça-feira, 31.  O tiroteio aconteceu perto de Hebron.  O Hamas, que controla a Faixa de Gaza,  e a Brigada dos Mártires de Al-Aqsa - grupo radical ligado ao Fatah, que governa a Cisjordânia, reivindicaram o ataque.

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"Podemos confirmar que há quatro mortos no local", disse o porta-voz da polícia israelense, Micky Rosenfeld.

 

O automóvel no qual as vítimas viajavam foi alvejado em uma estrada entre um assentamento e o povoado palestino de Bani Naim.  Colonos judeus utilizam muito a estrada, que é um foco de tensão entre palestinos e israelenses.

 

A mídia local reportou que as vítimas são duas mulheres de 25 e 40 anos - sendo uma delas grávida - e dois homens, também com 25 e 40 anos. Eles são membros de uma mesma família residente no assentamento de Beit Hagai, no sul de Hebron.

 

Esse é o primeiro episódio de violência contra israelenses na Cisjordânia desde junho, quando um policial foi morto e outros dois ficaram feridos quando seu veículo foi atacado nas proximidades de Hebron. Em maio, dois israelenses se feriram com cacos de vidro quando seu carro foi atingido por balas na mesma estrada em que ocorreu o ataque desta terça.

Autoria disputada

Em um comunicado, a ala armada do Hamas disse que as " Brigadas Qassam assumem total responsabilidade pela operação em Hebron".

 

 A Brigada dos Mártires de Al-Aqsa também reivindicou o atentado. "Esse ataque é uma resposta às contínuas agressões de Israel contra nossos lugares sagrados, às suas contínuas incursões em nossas cidades e à coordenação de segurança entre Israel e a ANP", disse pelo rádio um militante que se identificou como Abu Mahmoud.

 

Resposta israelense

 

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, considerou o incidente como "sério e difícil".

Segundo ele, o Exército de Israel e as forças de segurança farão tudo o que estiver ao seu alcance para capturar os atiradores. "Israel não permitirá que os terroristas se levantem e fará os assassinos e aqueles que os mandaram pagar", disse.

 

O atentado, no entanto, não deve interromper as negociações de paz. Segundo funcionários do gabinete de Netanyahu, o cronograma segue normalmente.

 

Negociações de paz

O episódio aconteceu  enquanto O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e Abbas viajavam aos EUA, onde devem relançar negociações diretas de paz nesta quarta-feira. O Hamas se opõe ao estabelecimento das conversações diretas. 

No começo da noite, em Washington, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton,  deu início a reuniões individuais com os líderes israelense e palestino.

Hillary foi ao hotel onde está hospedado o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, perto de Washington, e também tinha uma reunião marcada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Ela ainda tinha encontros previstos com os chanceleres de Egito e Jordânia, que enviaram seus líderes a Washington para apoiar as negociações, e com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que representa o quarteto de mediadores para o Oriente Médio: ONU, União Europeia, EUA e Rússia.

 

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Com AP, Reuters e Efe

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