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Rafsanjani pede pela libertação de detidos em protestos no Irã

Ex-presidente desafia as lideranças do país em seu primeiro sermão nas orações de sexta desde a eleição

17 de julho de 2009 | 09h15

O ex-presidente iraniano Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, um dos aiatolás mais poderosos do país e aliado do candidato derrotado da oposição Mir Hossein Mousavi, pediu nesta sexta-feira, 17, pela libertação dos presos nos protestos contra o resultado das eleições presidencial. Em seu primeiro sermão nas tradicionais orações de sexta desde o pleito de 12 de junho, o aiatolá disse ainda que uma grande parte da população iraniana duvida da reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

 

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Milhares de pessoas acompanharam o sermão de Rafsanjani na Universidade de Teerã, em que ele pediu por uma solução para a crise que atingiu o país após a eleição, que originou a maior onda de protestos desde a revolução islâmica de 1979. Durante as orações, transmitidas pela rádio estatal, Rafsanjani disse que algo precisa ser feito para tranquilizar as dúvidas da população sobre o resultado da eleição.

 

Rafsanjani pediu ainda por uma maior liberdade de expressão "no marco da lei" e pela libertação dos detidos durante os protestos após a votação. "Na atual situação, não é preciso manter tantas pessoas na prisão. Deveríamos permitir que elas voltem para suas famílias". "Somos todos membros de uma família. Espero que, com este sermão, possamos passar por esse período de dificuldades que pode ser chamado de crise".

 

No sermão oficial, Rafsanjani ressaltou a importância do papel do povo na república islâmica, sem o qual esta "não continuará de pé". "Tudo neste povo depende do voto do povo". A televisão pública, que transmitiu o sermão, emitiu imagens de um dos candidatos derrotados nas eleições, Mahdi Karroubi, mas não de Mousavi nem do ex-presidente reformista Mohamad Khatami, que tinham anunciado sua presença no local.

 

Uma grande multidão de partidários de Mousavi, que se reuniu no centro de Teerã após as orações desta sexta-feira, foi dispersada por forças de segurança, segundo testemunha. "Eles estavam vestindo pulseiras verdes e carregando imagens de Mousavi enquanto mostravam o sinal da vitória", disse uma testemunha. O verde foi a cor que simbolizou a campanha de Mousavi na última eleição presidencial.

 

Segundo testemunha, a polícia usou gás lacrimogêneo e entrou em confronto com os manifestantes. "A polícia usou bomba de gás lacrimogêneo e bateu em partidários de Mousavi no bulevar Keshavarz. Os manifestantes carregavam faixas verdes. E entoavam ...'(presidente Mahmoud) Ahmadinejad, renuncie, renuncie'". Mais cedo, a polícia iraniana deteve ao menos 15 pessoas e usou gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar os partidários do líder da oposição Mousavi do lado de fora da Universidade de Teerã nesta sexta-feira.

 

Partidários de Mousavi do lado de fora entoavam frases pedindo a libertação das pessoas detidas desde o mês passado na contestada eleição presidencial e pediam a renúncia do presidente Mahmoud Ahmadinejad enquanto a polícia tentava dispersar a multidão, disse uma testemunha.

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