Ramadã começa nesta quinta na maioria dos países muçulmanos

Na Indonésia, tristeza por terremotos; no Iraque, EUA libertam presos; no Irã, jejum começa na sexta

Agências internacionais,

13 de setembro de 2007 | 14h43

Grande parte do 1,2 bilhão de muçulmanos no mundo iniciou nesta quinta-feira, 13, o jejum do mês sagrado do Ramadã, com tristeza na Indonésia pelos violentos terremotos dos últimos dias, que matou pelo menos 10, e um aumento da segurança no Iraque, para evitar novos atentados, mesmo com a libertação de presos. O Irã é um dos poucos países que começarão o mês festivo na sexta-feira.   Veja também: EUA começam a libertar iraquianos para o Ramadã Ramadã começa para sunitas no Iraque; xiitas esperam a sexta Milícia palestina ameaça aumentar ataques a Israel no Ramadã   Nesta quarta, as quatro principais autoridades religiosas xiitas do Iraque anunciaram que não tinham observado a chegada da lua nova e, portanto, também não começarão o jejum até sexta. Esta é a quarta vez que xiitas e sunitas, as duas facções do Islã, celebram o Ramadã separadamente no país.   Da Indonésia até o Marrocos, a observação da nova lua é o que tradicionalmente permite determinar o início do mês sagrado. O Ramadã, uma época de recolhimento, festa e generosidade, já começou oficialmente na quarta para quase todos os muçulmanos no mundo.   O período corresponde ao nono mês do calendário lunar da Hégira, pelo qual os muçulmanos se guiam para realizar suas festas religiosas. Trata-se do mês mais festivo para os fiéis, que realizam longas noitadas em família, apesar do típico aumento dos preços dos produtos na ocasião.   Durante as quatro semanas seguintes, do amanhecer ao pôr-do-sol, os muçulmanos de todo o mundo devem se abster de comer carne, beber, fumar e manter relações sexuais, sob a conseqüência de penalizações públicas para infratores desta regra.   O Ramadã é um dos cinco pilares do Islã junto com a profissão da fé (chahada), a oração (salat), a esmola (zakat) e a peregrinação (hajj) aos lugares santos de Meca e Medina.   Países   No país de origem do Islã, a Arábia Saudita, o Ramadã começa já nesta terça-feira. Os sauditas devem acolher cerca de um milhão de muçulmanos que realizam a peregrinação à Meca.   Na conflituosa Gaza, os palestinos passarão seu primeiro Ramadã sob o comando dos islâmicos do Hamas, que controlam a região desde junho. Líderes do Fatah e de outros movimentos rivais anunciaram orações pelas ruas, proibidas pelo Hamas por temer confrontos entre a polícia e o movimento islamita.   No Líbano, o mês sagrado coincide com as eleições presidenciais em um cenário de tensão entre a maioria parlamentar anti-Síria e oposição apoiada por Síria e Irã.   Os luxuosos hotéis do rico emirado petroleiro do Kuwait estão proibidos de realizar shows e recepções noturnas devido à pressão de deputados islâmicos. No entanto, as famílias poderão continuar se reunindo para compartilhar o "iftar", a ceia depois de um dia inteiro de jejum, e também manterão a tradição das doações de caridade, controladas para que não sejam destinadas a organizações extremistas.   Já no Egito, o país árabe com maior número de habitantes, a segurança dos pontos turísticos já foi reforçada. Na capital Cairo, uma cidade de 18 milhões de habitantes e de engarrafamentos monstruosos, a polícia não terá folga, pois deve garantir que os habitantes locais voltem para casa a tempo do "iftar".   Dubai, o emirado mais ocidentalizado, seguirá o Ramadã durante o dia, mas abrirá seus estabelecimentos durante a noite.   Já no sul muçulmano das Filipinas, o exército não prevê trégua em sua nova operação contra os extremistas do grupo Abu Sayaf.   'Dia da dúvida'   No Iraque, uma diminuição na violência tem sido defendida diante da estratégia posta em marcha há seis meses pelo exército americano que parece ter permitido uma melhora na segurança.   Há quatro anos, o Ramadã é sinônimo de aumento dos atentados, mas neste ano, o exército americano espera que, ao contrário, se confirme a tendência de diminuição dos ataques constatada em agosto, um "sinal importante" em favor da redução do efetivo americano.   Pensando nisso, o Exército começou a libertar prisioneiros iraquianos. Após acordo com o vice-presidente Tareq al-Hashemi, no mês passado, 23 mil detentos podem ser libertados durante o mês.   No Iraque e no Irã, desde a madrugada de quarta-feira, mais de 170 equipes de estudiosos observam a evolução lunar e mandam relatórios ao Líder Supremo da Revolução Islâmica, que é responsável por certificar o início do mês.   Nesta quarta é celebrado no Irã o "yom el shak" (dia da dúvida), quando o jejum é voluntário. Mesmo se for realizado, não é incluído no cálculo do mês. É daí que ocorrem as divergências sobre a data do início do festival entre os diferentes países muçulmanos.   No Iraque, quando presidente, Saddam Hussein estabelecia o começo do Ramadã por decreto para todos os muçulmanos, independentemente de etnia ou seita. Mas desde a queda do regime a questão do Ramadã se transformou em outro tema que separa xiitas e sunitas.   Os xiitas - majoritários no Iraque, embora minoritários no mundo islâmico em geral - se alinharam neste caso com o Irã, onde os religiosos também ainda não viram o quarto crescente da lua.   No Irã xiita, o mês sagrado começará na noite desta quinta-feira e será rigidamente obedecido. Em 2006, as autoridades proibiram os restaurantes de Teerã de servirem comidas durante o dia.   Apesar da diferença entre sunitas e xiitas, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, mandou na quarta à noite mensagens de felicitação aos líderes muçulmanos pelo começo do Ramadã.   No maior país muçulmano do mundo, a Indonésia, o Ramadã começa na quinta em meio à tristeza de novos terremotos e ameaças de tsunami, que sacudiram a costa oeste da ilha de Sumatra, já devastada em 2004 pelo mesmo fenômeno.

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