Reabrir fronteira é reconhecer autoridade do Hamas, diz Egito

Atitude também violaria 'obrigações do país com Israel', segundo ministro de Assuntos Exteriores

Efe,

12 de janeiro de 2010 | 13h12

O ministro de Assuntos Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, disse nesta terça-feira, 12, que a abertura permanente da passagem fronteiriça entre o Egito e a Faixa de Gaza representaria o reconhecimento oficial da autoridade do grupo palestino Hamas sobre o território palestino.

 

"A abertura da passagem fronteiriça de Rafah (entre Egito e Gaza) permanentemente significaria o reconhecimento da autoridade do Hamas, o que significaria uma violação das obrigações do Egito com Israel, a União Europeia (UE) e a comunidade internacional", disse Aboul Gheit, em entrevista à televisão egípcia e reproduzida nesta terça pela agência de notícias Mena.

 

O responsável da diplomacia egípcia acrescentou que o Hamas quer que o Egito o reconheça como governante legítimo de Gaza. "O Hamas quer obter o reconhecimento do Egito de seu direito de governar Gaza, assim como a legitimação de sua presença. Esse reconhecimento significaria reconhecer dois Governos legítimos e duas autoridades", disse o chefe da diplomacia egípcia.

 

Após o confronto armado que explodiu na Faixa de Gaza em junho de 2007 entre os islamitas do Hamas e os nacionalistas do Fatah, o grupo religioso assumiu o controle do território, enquanto o Fatah continuou mantendo sua autoridade sobre a Cisjordânia.

 

O governo palestino era então controlado pelo Hamas, mas Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional palestina (ANP), declarou o Executivo ilegítimo e nomeou um novo, que é o atualmente reconhecido pela comunidade internacional.

 

Desde que o jornal israelense Ha'aretz revelou, em 9 de dezembro, que o Egito começou a construção de um muro de aço em sua fronteira com Gaza para frear o contrabando pelos túneis, multiplicaram as críticas por causa da participação egípcia no bloqueio contra o território, onde vivem 1,5 milhão de pessoas.

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