Rebelde sírio quer que Annan declare fim de plano de trégua

O principal comandante rebelde da Síria fez um apelo nesta quinta-feira para que o mediador internacional Kofi Annan anuncie que o seu plano de paz falhou, a fim de liberar os insurgentes de qualquer compromisso com um acordo de trégua, que os Estados Unidos disseram que pode entrar em colapso e desencadear uma ampla crise no Oriente Médio.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

31 Maio 2012 | 15h14

O coronel Riad al-Asaad, que fica baseado na Turquia, contradisse uma declaração dos rebeldes dentro da Síria que emitiram um ultimato de 48 horas na quarta-feira para o presidente Bashar al-Assad cumprir as condições do plano de Annan.

"Não há prazo, mas queremos que Kofi Annan emita uma declaração anunciando o fracasso desse plano para que pudéssemos ficar livres para realizar qualquer operação militar contra o regime", disse o coronel Asaad à TV Al Jazeera.

O plano de Annan não conteve o derramamento de sangue na Síria e a enviada dos EUA para as Nações Unidas advertiu que, a menos que o Conselho de Segurança aja rapidamente para pressionar a Síria para acabar com a repressão contra a oposição, os países podem agir separadamente do organismo mundial.

Susan Rice descreveu o que ela disse ser o pior caso e o cenário mais provável em que "a violência aumenta, o conflito se espalha e se intensifica... envolve os países da região, começa a assumir formas cada vez mais sectárias, e temos uma grande crise não só na Síria, mas na região".

Nesse caso, a Síria -- um país muçulmano de maioria sunita, cujo líder é aliado do Irã -- se tornaria "um conflito com armas vindas de todos os lados" e as potências mundiais considerariam tomar ações unilaterais, afirmou Rice.

As declarações rivais de rebeldes dentro e fora da Síria mostraram mais uma vez o quão profundas são as divisões entre inimigos de Assad, que não conseguiram unificar operações políticas ou militares mais de 14 meses depois que o levante da Síria teve início.

Observadores da Organização das Nações Unidas anunciaram na quarta-feira a descoberta de 13 corpos amarrados e baleados no leste da Síria, somando-se ao clamor mundial sobre o massacre da semana passada de 108 homens, mulheres e crianças na cidade ocidental de Houla. A ONU disse que militares e atiradores pró-Assad provavelmente foram responsáveis pelas mortes, uma acusação que Damasco nega.

O secretário-geral Ban Ki-moon alertou nesta quinta-feira que outra atrocidade poderia lançar a Síria em uma devastadora guerra civil "da qual o país nunca iria se recuperar".

Um comandante sênior do Exército em Israel, que tomou as Colinas de Golã da Síria em uma guerra há 45 anos, disse que o país estava caminhando para o colapso e se tornaria um "armazém de armas" para os militantes islâmicos.

Asaad afirmou que os rebeldes até agora tinham honrado seus compromissos com o plano de Annan. Mas ativistas relataram frequentes ataques por militantes e desertores do exército contra as forças de Assad desde o acordo de cessar-fogo em 12 de abril.

As forças do governo também têm bombardeado cidades, disparado contra manifestantes e atacado redutos de rebeldes, matando centenas de pessoas nas últimas sete semanas, contam os ativistas.

A irritação com o massacre na última sexta-feira na região de Houla fez uma série de países ocidentais expulsar diplomatas sírios na terça-feira e pressionar Rússia e China para permitir medidas mais duras pelo Conselho de Segurança da ONU.

Pequim disse na quinta-feira que mais tempo deve ser dado para permitir a implementação do plano intermediado por Annan, o representante das Nações Unidas e da Liga Árabe para a Síria. "A China acredita que a situação na Síria, atualmente, é certamente muito complexa e grave", afirmou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Liu Weimin em uma entrevista coletiva diária.

"Mas, ao mesmo tempo, acreditamos que os esforços de mediação de Annan têm sido eficazes e devemos ter ainda mais fé nele e dar-lhe mais apoio", acrescentou.

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