Rebeldes abatem avião líbio; governo discute novas medidas

Rebeldes líbios abateram nesta segunda-feira um avião militar, em meio aos combates pelo controle de Misrata, terceira maior cidade do país, segundo testemunhas.

MARIA GOLOVNINA, REUTERS

28 de fevereiro de 2011 | 10h40

A oposição já controla grande parte da Líbia, e chanceleres estrangeiros discutem como ajudá-los a derrubar o regime de Muammar Gaddafi, no poder há 41 anos e praticamente cercado em Trípoli.

Com apoio de militares que romperam com o governo, os rebeldes resistem às investidas das forças governamentais em Misrata (200 quilômetros a leste de Trípoli) e em Zawiyah (50 quilômetros a oeste), onde há uma refinaria estratégica.

"Um avião foi abatido hoje de manhã quando estava bombardeando a emissora de rádio local. Os manifestantes capturaram os tripulantes", disse uma testemunha à Reuters por telefone.

Segundo essa fonte, há confrontos pelo domínio de uma base aérea. "As forças de Gaddafi controlam só uma pequena parte da base. Os manifestantes controlam uma parte grande, na qual há munição."

Estima-se pelo menos mil pessoas tenham morrido na Líbia em cerca de duas semanas de protestos contra Gaddafi. O Conselho de Segurança da ONU já impôs sanções ao regime, como um embargo de armas e congelamento de bens, além de alertar que os responsáveis pela violência contra civis serão submetidos à justiça internacional.

Os chefes de política externa dos EUA, da Rússia, da União Europeia e de outros governos aproveitam uma conferência de direitos humanos em Genebra para realizar reuniões bilaterais, na tentativa de coordenar seus esforços.

Gaddafi já declarou que só pretende deixar o poder morto, mas nesta segunda-feira um porta-voz adotou um tom mais conciliador, e admitiu que as forças do governo alvejaram civis, por estarem mal treinados.

"Eles atiraram e mataram alguns civis", disse o porta-voz Mussa Ibrahim. "Nunca negamos que centenas de pessoas tenham sido mortas", afirmou, acrescentando que a revolta "começou como um movimento pacífico e genuíno".

"Também acreditamos que é hora de mudança", disse. "Mas esse movimento foi sequestrado pelo Ocidente (...) e por militantes islâmicos."

Analistas regionais acreditam que os rebeldes acabarão por tomar a capital, matando ou capturando Gaddafi. Mas acrescentam que o ditador tem poderio suficiente para fomentar o caos ou uma guerra civil - possibilidade para a qual ele e seus filhos já alertaram.

As forças de oposição controlam grande parte das instalações petrolíferas da Líbia, localizadas principalmente no leste do país, onde as forças pró-Gaddafi se dissolveram. As exportações de petróleo foram praticamente paralisadas.

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