Rebeldes dizem cercar Trípoli, mas Kadafi promete lutar

Insurgentes ocupam cidade a apenas 45 km da capital após avanços feitos no fim de semana

Reuters e Associated Press

15 de agosto de 2011 | 18h54

Veículo rebeldes patrulha região de Zawiya sob poder da oposição

 

ZAWIYAH - Rebeldes líbios tentavam nesta segunda-feira, 15, isolar Trípoli depois de um imponente avanço durante o fim de semana tê-los colocado naquela que é considerada a melhor posição dos insurgentes depois de seis meses de guerra civil contra as forças do coronel Muamar Kadafi. Os insurgentes ainda tentavam bloquear as rotas de suprimento e o fornecimento de petróleo à capital da Líbia.

 

Veja também:

especialLinha do Tempo: 40 anos da ditadura na Líbia

especialInfográfico: A revolta que abalou o Oriente Médio

especialEspecial: Os quatro atos da crise na Líbia 

 

"Nós estamos interrompendo os caminhos para Kadafi, então não haverá meios de ele levar nada até Trípoli", disse Jumma Dardira, um comandante de campo rebelde. No sábado, depois de três dias de combates, os rebeldes avançaram até Zawiya, a apenas 45 quilômetros de Trípoli. É o mais perto que eles já chegaram da capital, onde acredita-se que Kadafi esteja, até o momento.

 

 

O ditador, porém, assim como anteriormente, prometeu lutar. Num discurso quase inaudível por telefone, transmitido durante a madrugada pela emissora estatal, Kadafi conclamou seus seguidores a enfrentarem a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os rebeldes, que ele chamou de "ratos." As forças do governo dispararam morteiros e foguetes contra Zawiyah durante todo o dia.

 

 

Os rebeldes disseram ter capturado também a localidade de Garyan, ao sul de Trípoli, por onde passa outra importante rodovia de acesso à capital. Não foi possível verificar imediatamente essa informação. "Garyan está totalmente nas mãos dos revolucionários", disse por telefone o porta-voz rebelde chamado Abdulrahman. "Kadafi está isolado do resto do mundo", disse. 

Na vizinha Tunísia, fontes dizem que rebeldes e representantes do governo mantêm negociações secretas na ilha turística de Djerba. Um porta-voz do governo, no entanto, negou que haja contatos com os rebeldes. "O líder está aqui na Líbia, lutando pela liberdade da nossa nação. Não vamos deixar a Líbia", afirmou o porta-voz Moussa Ibrahim.

Os rebeldes não têm condições militares de avançar sobre Trípoli, mas esperam que o cerco à capital derrube o regime de Kadafi ou inspire uma rebelião na cidade. Em ocasiões anteriores, porém, eles tiveram dificuldades em preservar seus avanços, e um contra-ataque das forças governistas poderia romper o sítio.

 

A Otan, por sua vez, segue realizando ataques sobre as instalações do governo. A intervenção foi autorizada pela ONU no início da guerra civil para "proteger os civis", mas a ação também tem ajudado os insurgentes a avançar em direção à capital para derrubar Kadafi, que está há mais de 40 anos no poder.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.