Rebeldes dizem que decisão do TPI exclui diálogo com Gaddafi

Um porta-voz do Conselho Nacional Transitório líbio disse na terça-feira que não há margem para um diálogo com Muammar Gaddafi depois de o Tribunal Penal Internacional emitir um mandado internacional de prisão contra o líder líbio.

REUTERS

28 de junho de 2011 | 18h57

"Depois da decisão do TPI, não acho que haja espaço para qualquer contato direto ou indireto com Gaddafi", disse o porta-voz Mahmoud Shammam a jornalistas, depois de o dirigente rebelde Mahmoud Jibril se reunir com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, a fim de discutir a situação financeira, política e militar da Líbia.

Na semana passada, Shammam disse ao jornal francês Le Fígaro que os rebeldes poderiam aceitar a renúncia de Gaddafi e sua permanência em um "oásis" remoto da Líbia.

Na segunda-feira, o TPI emitiu mandados de prisão contra Gaddafi, contra seu filho Saif al Islam e contra o chefe da inteligência líbia, Abdullah al Senussi. Os três são acusados de crimes contra a humanidade por causa da repressão a civis na atual rebelião no país.

Numa visita anterior de Jibril a Paris, Sarkozy prometeu a ampliação dos bombardeios aéreos da Otan contra as forças de Gaddafi, e disse que faria uma visita a Benghazi, a "capital" dos rebeldes líbios.

"Temos o apoio máximo do presidente Sarkozy e do seu governo, e temos algum compromisso no sentido de obter mais apoio financeiro para o nosso povo", afirmou Shammam após a reunião de terça-feira.

Ele mais tarde acrescentou que os rebeldes pediram que mais bens pertencentes ao governo de Gaddafi sejam descongelados e concedidos como empréstimo. "Não estamos pedindo aos militares franceses que ajudem no terreno. Estamos obtendo nossos meios de outros lugares", disse Shammam sem dar detalhes.

No começo de junho, a França informou que estava empenhada em descongelar 290 milhões de euros (410,6 milhões de dólares) do patrimônio líbio em bancos franceses.

Shammam afirmou que uma iniciativa de paz proposta pela União Africana, que defende o fim imediato das hostilidades, mas não faz menção ao futuro de Gaddafi, não foi suficiente. A iniciativa deveria abordar o desejo do povo líbio, que segundo ele é o de "romper com a era da ditadura".

O conselho rebelde deve enviar uma delegação de alto nível à cúpula da União Africana que começa na quinta-feira na Guiné Equatorial. "A não ser que os africanos tratem da questão de remover Gaddafi e sua família do poder, não iremos aceitar nada aquém disso", afirmou Shammam.

(Reportagem de John Irish)

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