Rebeldes forçam caças sírios a ataques de altitude elevada, diz França

Rebeldes sírios adquiriram armas pesadas que estão obrigando os jatos do governo a bombardearem redutos inimigos a partir de altitudes elevadas, o que reduz a precisão dos ataques, disse o chanceler da França antes de se reunir com oposicionistas sírios na quarta-feira.

Reuters

17 de outubro de 2012 | 10h45

"Em algumas dessas zonas, (o regime de) Bashar al-Assad está bombardeando-os com caças MiG, e o que é particularmente horrível é que ele os está bombardeando com dinamite", disse o chanceler Laurent Fabius, um dos mais duros críticos de Assad na comunidade internacional.

"Mas, ao mesmo tempo, há agora armas que estão obrigando os aviões a voarem extremamente alto, então os ataques são menos precisos", disse ele a jornalistas.

Vídeos gravados na Síria mostram rebeldes disparando mísseis terra-ar contra a aviação do governo. Na quarta-feira, ativistas divulgaram imagens que supostamente mostram um helicóptero do governo explodindo após ficar desgovernado e cair.

Rami Abdelrahman, chefe do Observatório Sírio de Direitos Humanos, disse que o helicóptero foi abatido perto de Maarat al Numan, cidade que foi capturada por rebeldes na semana passada, interrompendo o tráfego na estrada que liga Damasco a Aleppo, as duas maiores cidades do país.

Falando à Reuters por telefone da Grã-Bretanha, Abdelrahman afirmou que "alguns rebeldes disseram ter usado mísseis antiaéreos" para abater o aparelho.

Fabius disse também que as forças governamentais sírias estão atirando indiscriminadamente bombas de fragmentação, acusação já feita no domingo pela entidade Human Rights Watch, mas negada por Damasco.

As bombas de fragmentação explodem no ar, espalhando dezenas de fragmentos por uma área do tamanho de um campo esportivo. A maioria dos países proíbe seu uso, cumprindo uma convenção que foi incorporada em 2010 ao direito internacional, mas que não teve a adesão da Síria.

Os rebeldes sírios, que há 19 meses enfrentam o regime de Assad, estão em inferioridade militar, diante de uma força munida de tanques, caças e helicópteros com canhões. Potências ocidentais, embora simpáticas aos rebeldes, relutam em armar os insurgentes, por não verem a existência de uma liderança coerente e por temerem que o material acabe nas mãos de militantes islâmicos, cada vez mais envolvidos no conflito.

Em agosto, a França começou a destinar dinheiro e ajuda humanitária para regiões da Síria controladas por rebeldes.

(Reportagem de Nicholas Vincour, em Paris, e Ayat Basma, em Beirute)

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