Rebeldes líbios anunciam morte de comandante

Os rebeldes líbios disseram que seu comandante militar foi morto num incidente que permanece cercado de mistério, e que aponta para divisões dentro do movimento ou infiltração de assassinos leais a Muammar Gaddafi.

MICHAEL GEORGY E RANIA EL GAMAL, REUTERS

29 de julho de 2011 | 08h59

Abdel Fattah Younes era ministro de Gaddafi até fevereiro, quando desertou e aderiu aos rebeldes, tornando-se comandante militar do Conselho Nacional Transitório (CNT), o "governo paralelo" com sede em Benghazi.

"Parece que foi uma operação de assassinato organizada pelos homens de Gaddafi. O aparato de segurança de Gaddafi cumpriu seu objetivo de se livrar de Younes", disse à Reuters o jornalista e ativista líbio Shamis Ashour, radicado em Londres.

"Ao fazer isso, eles acham que vão criar divisões entre os rebeldes. Certamente foi traição, uma célula dormente entre os rebeldes. Younes estava na frente de combate e foi atraído a Benghazi, e foi morto antes de chegar a Benghazi. É um grande revés e uma grande perda para os rebeldes."

A morte, anunciada na quinta-feira, coincidiu com o início de uma ofensiva rebelde no oeste do país, e com a ampliação do reconhecimento diplomático internacional ao CNT, o que pode se transformar no acesso a bilhões de dólares do governo líbio hoje congelados por sanções.

Testemunhas disseram que o assassinato foi celebrado por partidários de Gaddafi em Trípoli, a capital.

Após um dia de rumores, o líder político dos rebeldes, Mustafa Abdel Jalil, disse que Younes e dois guarda-costas foram mortos antes de chegarem para depor a um comitê judiciário dos rebeldes que investiga questões militares.

Não ficou claro onde o ataque aconteceu. Agravando a confusão, Jalil disse que os corpos ainda não foram encontrados.

Younes enfrentava desconfianças de parte da liderança rebelde por ter sido no passado o responsável pela repressão a dissidentes. Durante a quinta-feira, houve relatos de que ele poderia ser punido por negociar secretamente um acordo com o regime.

Mas sua morte deve representar um duro golpe para o movimento, que já obteve reconhecimento diplomático de cerca de 30 países, mas sofre para avançar no campo de batalha.

Os rebeldes anunciaram ter conquistado várias pequenas cidades nas Montanhas Ocidentais da Líbia, mas sem fazer avanços importantes rumo a Trípoli. Há cada vez menos esperanças de uma rápida solução negociada na guerra civil iniciada há cinco meses, e ambos os lados parecem se preparar para que o impasse se prolongue durante o mês sagrado islâmico do ramadã, em agosto.

Um dirigente rebelde disse que só haverá negociação se Gaddafi e seus poderosos filhos deixarem a Líbia, enquanto o veterano líder promete lutar "até a vitória, até o martírio."

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