Rebeldes líbios avançam e ficam mais próximos da capital

Os rebeldes líbios conseguiram novas conquistas no front oeste nesta terça-feira, empurrando de volta as forças leais ao líder Muammar Gaddafi em uma série de confrontos que os coloca mais próximos da capital Trípoli.

YOUSSEF BOUDLAL E MATT ROBINSON, REUTERS

14 de junho de 2011 | 19h35

Os insurgentes também buscaram estender o seu avanço no leste, ficando atentos à cidade produtora de petróleo de Brega em busca de aumentar o controle na região, o epicentro de uma rebelião de quatro meses contra o regime de quatro décadas de Gaddafi.

Eles tomaram a cidade de Kikla, 150 km ao sudoeste de Trípoli, depois da retirada das tropas do governo, e avançaram vários quilômetros para oeste a partir de sua base em Misrata para a periferia de Zlitan, controlada pelo governo, disse um fotógrafo da Reuters. As forças pró-Gaddafi recuaram para nove quilômetros de Kikla.

Na noite de terça-feira, fortes explosões foram ouvidas a leste de Trípoli, levantando uma coluna de fumaça.

Em Bruxela, o porta-voz da Otan, o comandante Mike Bracken, disse que as forças rebeldes estão fazendo avanços contínuos no oeste e nas terras dos Berber, e aparentemente "controlam o solo de Wazin para Jadu e Zintan assim como a cidade de Yaffran. No leste, há pouco movimento nos dois lados e nenhuma mudança significativa na intensidade da atividade", disse.

O avanço para Kikla acontece depois de semanas de impasse entre o precário Exército rebelde e as forças do governo, ainda que ataques aéreos da Otan tenham prejudicado as tropas com melhor equipamento de Gaddafi.

Rebeldes no oeste disseram que os ataques contra a refinaria de petróleo de Misrata não prejudicaram os suprimentos como se temia anteriormente.

FOLHETO DA OTAN

Um folheto da Otan alertando sobre ataques de helicópteros fez alguns rebeldes baterem em retirada das suas recém-capturadas posições nos arredores de Zlitan.

"Nós voltamos por conta dos folhetos da Otan. Espero que exista alguma coordenação entre os combatentes e a Otan. As forças de Gaddafi estão longe. A Otan não saiba quem tomou aquelas posições?", disse à Reuters Mohammed Genei, 31, comandante local.

Um folheto obtido pela Reuters mostrava a imagem de um helicóptero e um tanque em chamas. "Quando você vê esses helicópteros, isso significa que é tarde demais para você", dizia o folheto em árabe. "Não há lugar para se esconder. Se você continuar a ameaçar civis, você será morto."

Uma autoridade da Otan disse que a aliança distribuiu os folhetos alertando sobre ataques de helicópteros, mas disse que foi a oeste de Misrata e próximo de Zlitan.

No entanto, mesmo sem a ameaça de um ataque da Otan, os rebeldes disseram que não vão atacar a cidade de Zlitan por respeito tribal. Em vez disso, eles vão esperar para que os moradores locais se revoltem.

A agência cultural da Organização das Nações Unidas, UnescO, pediu para os dois lados protegerem o "precioso legado" da Líbia.

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