Rebeldes líbios avançam lentamente para Trípoli

Rebeldes líbios pareciam ter avançado mais fundo em território sob controle do governo, a leste da capital, Trípoli, depois de terem rejeitado uma proposta de um filho do líder da Líbia, Muammar Gaddafi, para a realização de eleições.

MATT ROBINSON E NICK CAREY, REUTERS

17 de junho de 2011 | 09h26

O filho de Gaddafi, Saif al-Islam, disse a um jornal italiano na quinta-feira que as eleições poderiam ser realizadas dentro de três meses e seu pai deixaria o cargo, se perdesse, mas essa proposta foi rapidamente rejeitada pelos líderes rebeldes e pelos Estados Unidos.

O avanço dos insurgentes em direção a Trípoli tem sido lento. Ao mesmo tempo, semanas de bombardeios aéreos da Otan contra as instalações que abrigam Gaddafi, bem como outras áreas, não conseguiram pôr fim a seu regime, que dura 41 anos.

A rebelião teve início quatro meses atrás na cidade de Benghazi, no leste da Líbia. A intervenção da Otan está na 13 semana - mais tempo do que previam muitos dos que lhe deram apoio - e divergências começam a surgir dentro da aliança atlântica.

O porta-voz das forças Armadas da França, Thierry Burkhard, sugeriu que os rebeldes estavam começando a se aprimorar, chegando perto do reduto de Gaddafi, em Trípoli. .

"As forças de oposição parecem ter assumido supremacia sobre as tropas de Gaddafi, o que mostra quanto desgaste estão suportando," disse ele a repórteres na quinta-feira.

O avanço rebelde, disse ele, era "essencialmente no oeste, em um cinturão que estão agora formando na região de Trípoli."

Uma equipe da Reuters em Dafniya, na periferia do bastião rebelde de Misrata, afirmou nesta sexta-feira que os rebeldes fizeram disparos de artilharia e lançaram foguetes com alcance de cerca de 20 quilômetros. Os insurgentes disseram ter como alvo tanques e munições em Naimah, perto de Zlitan.

Situada a apenas 160 quilômetros de Trípoli, Zlitan é a próxima grande cidade na estrada da costa mediterrânea que conduz à capital. Capturar essa localidade seria uma grande vitória.

Os insurgentes dizem que não atacarão Ziltan por causa de questões tribais delicadas, mas eles vêm recrutando combatentes da cidade e aguardando os moradores locais se rebelarem contra o governo.

As forças rebeldes também combatem Gaddafi em duas outras frentes: no leste, no entorno da cidade petrolífera de Brega, e nas montanhas no oeste do país, a sudoeste de Trípoli.

Nas últimas semanas eles avançaram lentamente, mas fizeram importantes conquistas nas montanhas e perto de Misrata, levando a frente de guerra para mais perto de Trípoli.

A aviação da Otan retomou os bombardeios de Trípoli na noite de quinta-feira. Oito explosões foram ouvidas na parte sul da cidade.

(Reportagem adicional de Maria Golovnina em Benghazi, Sami Aboudi no Cairo)

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