Rebeldes líbios avançam para capital em fase decisiva do conflito

O líder Muammar Gaddafi fez um apelo aos líbios no domingo para que peguem em armas e esmaguem uma revolta em Trípoli, enquanto as tropas rebeldes fechavam o cerco à capital, para um ataque final ao seu reduto.

ULF LAESSING, REUTERS

21 de agosto de 2011 | 16h56

"Temo que se não agirmos, eles vão queimar Trípoli", disse ele em uma mensagem em áudio transmitida pela TV estatal. "Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade."

Milhares de combatentes rebeldes estavam a 20 quilômetros a oeste de Trípoli, indo em direção à capital na noite de domingo. Durante o avanço, os rebeldes assumiram o controle de um quartel pertencente à brigada de Khamis, uma unidade de segurança de elite, comandada por um dos filhos de Gaddafi, Khamis.

Os confrontos de sábado à noite e domingo de manhã mataram 376 pessoas em ambos os lados e feriram cerca de 1.000, de acordo com uma autoridade do governo que pediu anonimato.

O tiroteio começou na noite de sábado em Trípoli, numa revolta coordenada que as células rebeldes vinham preparando secretamente há meses. Momentos depois, clérigos muçulmanos, usando os alto-falantes das mesquitas chamaram o povo para as ruas.

Em sua segunda transmissão de áudio em 24 horas, Gaddafi chamou os rebeldes de ratos.

"Estou ordenando que abram os depósitos de armas", disse Gaddafi. "Conclamo todos os líbios a aderirem a essa luta. Aqueles que tiverem medo podem dar suas armas às suas mães ou irmãs."

"Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer."

Os combates dentro de Trípoli, combinados com os avanços dos rebeldes em direção à periferia da cidade, parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da "Primavera Árabe", envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"As chances de uma saída segura para Gaddafi diminuem a cada hora", disse Ashour Shamis, um ativista da oposição da Líbia e editor baseado na Grã-Bretanha.

Mas a queda de Gaddafi, depois de 41 anos no poder, não é dada como certa. Suas forças de segurança não cederam e a cidade é bem maior do que qualquer coisa que os combatentes anti-Gaddafi, em sua maioria amadores, com suas armas velhas e uniformes improvisados, tiveram que enfrentar.

Se o líder líbio for forçado a sair do poder, haverá dúvidas quanto à capacidade da oposição de restabelecer a estabilidade nesse país exportador de petróleo. O comando das forças rebeldes tem sido abalado por disputas e rivalidades.

Os rebeldes disseram depois de uma noite de intensos combates que controlavam um punhado de bairros na cidade. A capacidade de manter esse controle dependerá da velocidade com que os outros rebeldes conseguirão chegar a Trípoli.

"Os rebeldes podem ter chegado muito cedo a Trípoli e o resultado poderá ser muitos confrontos sangrentos", disse Oliver Miles, um ex-embaixador britânico na Líbia. "Pode ser que, na cidade, o regime não tenha caído tanto quanto eles acham que caiu."

O avanço dos rebeldes em direção à capital foi rápido e não houve nenhum sinal de grande resistência por parte das forças de segurança de Gaddafi. Nas últimas 48 horas, os rebeldes avançaram cerca de 30 km para Trípoli, reduzindo a distância entre eles e a capital pela metade.

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