Rebeldes líbios declaram vitória na cidade petrolífera de Brega

As forças rebeldes conquistaram a cidade de Brega, expulsando quase todos os soldados de Muammar Gaddafi, no maior avanço dos insurgentes no leste da Líbia em várias semanas, disse um porta-voz rebelde na segunda-feira.

NICK CAREY, REUTERS

18 de julho de 2011 | 15h15

Os rebeldes cercaram Brega, terminal de exportação petrolífera com uma refinaria e uma indústria química, e que durante meses marcou o limite leste do controle de Gaddafi, segundo o porta-voz rebelde Shamsiddin Abdulmolah. Mas as ruas da cidade estão cheias de minas terrestres, o que dificulta e efetivação do controle insurgente.

"O principal corpo (das forças governistas) recuou para Ras Lanuf (a oeste)", disse Abdulmolah por telefone. "Disseram-me que eles têm algumas caminhonetes 4 x 4 com metralhadoras espalhadas entre Ras Lanuf e Bishr."

Enquanto os rebeldes fazem avanços no leste e oeste da Líbia nos últimos dias, a Rússia criticou os Estados Unidos e outros países por reconhecerem a liderança rebelde como sendo o governo legitimo da Líbia.

"Os que declaram o reconhecimento se colocam plenamente ao lado de uma força política em uma guerra civil", disse o chanceler Sergei Lavrov a jornalistas em Moscou na segunda-feira.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, anunciou na sexta-feira o reconhecimento do governo rebelde da Líbia, o que pode resultar na liberação de bilhões de dólares em patrimônio líbio congelado por sanções a Gaddafi. Hillary fez a declaração durante visita à Turquia, para uma reunião do chamado grupo de contato da Líbia, que reúne vários países.

Rússia e China adotam uma postura mais branda em relação a Gaddafi, e não participaram da reunião do grupo de contato.

Brega, cerca de 750 quilômetros a leste de Trípoli, tem um terminal petrolífero estratégico. O ataque pode prenunciar uma nova ofensiva dos rebeldes a partir do seu principal reduto, no leste do país, após semanas de impasse.

Gaddafi enfrenta há cinco meses uma rebelião contra o seu regime, e desde março sofre bombardeios aéreos da Otan em apoio aos insurgentes.

O lento avanço da campanha militar rebelde causa inquietação dentro da Otan, e alguns aliados ocidentais passaram a defender uma solução negociada para acelerar o fim do conflito.

(Reportagem adicional de Steve Gutterman em Moscou, Yasmine Saleh e Omar Fahmy no Cairo, Peter Graff em Al-Qawalish, Líbia, e Hamid Ould Ahmed em Alger)

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