Rebeldes líbios retrocedem até Ben Jawad após ataques de Kadafi

Líder rebelde diz que revolucionários estão revisando táticas de defesa para avançar até Sirte

Efe e Reuters

29 de março de 2011 | 07h29

BENGHAZI - Os combatentes rebeldes líbios retrocederam nesta terça-feira, 29, até Ben Jawad, a cerca de 100 quilômetros de Sirte, devido aos bombardeios de artilharia das forças leais ao líder líbio Muamar Kadafi, informou o porta-voz dos revolucionários Ahmad Khalifa.

 

Veja também: 
especialTwitter: 
Acompanhe os relatos de Lourival Sant'anna

especialLinha do Tempo: 40 anos de ditadura na Líbia
blog Arquivo: Kadafi nas páginas do Estado
especialInfográfico:  A revolta que abalou o Oriente Médio

especialEspecial: Os quatro atos da crise na Líbia
especialCharge: O pensamento vivo de Kadafi

 

 

"As tropas de Kadafi estão no Vale Vermelho e, dali, estão bombardeando os rebeldes, que retrocederam à área de Ben Jawad", disse Khalifa em entrevista coletiva em Benghazi.

 

 

"Não significa que agora os revolucionários avancem mais lentamente. Na verdade eles vão bastante rápido, mas agora estão revisando suas táticas e defesas (em Ben Jawad) para poder se movimentar mais tarde", indicou o representante dos rebeldes.

 

Khalifa afirmou que agora é perigoso se aproximar de Sirte, porque as forças pró-Kadafi disseminaram minas nas cercanias.

 

Além disso, o porta-voz ressaltou que, nesta segunda-feira à tarde, os rebeldes estavam 30 quilômetros a leste de Sirte, na localidade de Sittar, mas que não puderam avançar mais porque foram repelidos pelas forças pró-Governo que lançaram foguetes Katyusha.

 

"O bombardeio obrigou os rebeldes a voltar a Ben Jawad", explicou Khalifa.

 

Khalifa reconheceu que prosseguem os enfrentamentos isolados em Nafauliya, cerca de 15 quilômetros a oeste de Ben Jawad, mas afirmou que esta localidade permanece sob controle rebelde. 

 

Mortos em Misrata

 

Pelo menos 124 pessoas morreram e 284 ficaram feridas no últimos nove dias na cidade de Misrata, cerca de 200 quilômetros a leste de Trípoli, segundo Khalifa.

 

"Há uma grande crise em Misrata", destacou Khalifa, segundo quem, entre os feridos, há 50 casos graves que necessitam ser operados urgentemente.

 

O representante dos revolucionários explicou que, na segunda-feira, chegou ao porto de Misrata um navio com ajuda humanitária procedente da Itália.

 

"Ainda há francoatiradores nos terraços dos edifícios e, ontem (segunda-feira), pelo menos seis pessoas perderam a vida por seus disparos", ressaltou o porta-voz rebelde.

 

Ele assinalou que, por volta das 19h local (14h de Brasília), as tropas leais ao líder líbio tentaram atacar sem sucesso a sede de uma rádio local, mas só danificaram um edifício próximo, sem deixar vítimas.

 

Khalifa anunciou ainda que, na segunda-feira, os rebeldes conseguiram capturar um coronel e três mercenários das forças de Kadafi.

 

Eleições

 

O Conselho de Governo Interino da Líbia, cirado pelos rebeldes, disse nesta terça que irá realizar eleições livres e justas para assegurar uma transição democrática se o líder líbio Muamar Kadafi deixar o poder.

 

Os representantes políticos do movimento rebelde disseram que aspiravam criar um "estado moderno, livre e unido", em um comunicado emitido antes de uma reunião entre ministros das Relações Exteriores em Londres para discutir o futuro da Líbia.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.