Rebeldes líbios se animam com apoio secreto dos EUA

Os rebeldes na Líbia se preparavam na quinta-feira para um contra-ataque às forças de Muammar Gaddafi no leste do país, estimulados pelas notícias de apoio secreto dos Estados Unidos e da deserção do ministro das Relações Exteriores líbio.

ALEXANDER DZIADOSZ E ANGUS MACSWAN, REUTERS

31 Março 2011 | 16h44

"Estamos começando a ver o regime de Gaddafi se desintegrar", disse o porta-voz rebelde Mustafa Gheriani na cidade de Benghazi, no leste do país, chegando perto de saudar o chanceler fugitivo Moussa Koussa, ex-chefe de espionagem, que foi para o lado dos rebeldes.

Os analistas concordaram que a deserção de Koussa, que viajou para Londres na quarta-feira, foi um revés para Gaddafi, cujas forças ganharam terreno nos últimos dias.

Mas o principal oficial militar dos EUA disse ao Congresso que Gaddafi está longe de ser derrotado. "Nós de fato degradamos seriamente as capacidades militares dele", disse o almirante Mike Mullen. "Isso não significa que ele está prestes a sofrer um colapso do ponto de vista militar."

Apesar de quase duas semanas de ataques aéreos ocidentais, as tropas de Gaddafi têm usado armas e táticas melhores para fazer recuar os rebeldes que tentam avançar rumo a oeste pela costa a partir de Benghazi, no leste, em direção à capital Trípoli.

A notícia de que as autoridades norte-americanas contaram à Reuters que o presidente norte-americano, Barack Obama, havia autorizado operações secretas na Líbia abriu a perspectiva de um apoio maior aos rebeldes.

Especialistas supõem que as forças especiais estejam em solo líbio identificando alvos para os ataques aéreos. A confirmação pública de Washington talvez indique uma disposição para um envolvimento maior.

Os rebeldes afirmaram não saber nada sobre tropas ocidentais na Líbia e que uma participação estrangeira muito grande poderia ser prejudicial.

O pedido principal dos rebeldes é por armas, mas isso ainda não foi autorizado por Washington, em razão de um embargo de armas imposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) que a Otan diz estar aplicando.

"Isso reduziria a nossa credibilidade", afirmou Gheriani.

RESOLUÇÃO DA ONU

A ordem de Obama deve alarmar ainda mais os países já preocupados de que os ataques aéreos contra a infraestrutura e as tropas terrestres promovidas pelos EUA, pela Grã-Bretanha e pela França estejam indo além da resolução da ONU que tem o objetivo declarado de apenas proteger civis.

"Não posso falar sobre qualquer atividade da CIA, mas digo a vocês que o presidente deixou bem claro que, no tocante aos militares dos Estados Unidos, não haverá botas no solo", disse o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates.

A principal autoridade do Vaticano na capital líbia citou testemunhas na quinta-feira, dizendo que ao menos 40 civis morreram com os ataques aéreos ocidentais em Trípoli.

A Otan afirmou que está investigando, mas não tem confirmação sobre a notícia.

A agência de notícias estatal da Líbia, citando fontes militares, disse que os ataques aéreos do Ocidente atingiram uma área civil da capital durante a noite, mas não mencionou vítimas.

(Reportagem adicional de Mark Hosenball, William Maclean, Adrian Croft, Maria Golovnina, Edmund Blair, Ibon Villelabeitia, Lamine Chikhi, Hamid Ould Ahmed, Marie-Louise Gumuchian, Avril Ormsby, Aly Eldaly e Niklas Pollard)

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