Rebeldes líbios sofrem baixas, e paralisia irrita a França

Os rebeldes líbios assumiram posições defensivas e sofreram mais baixas na segunda-feira, enquanto os países da Otan deram sinais de irritação com a paralisia na ofensiva da oposição rumo a Trípoli.

NICK CAREY E JOHN IRISH, REUTERS

11 de julho de 2011 | 17h27

Pelo menos oito rebeldes morreram e 25 ficaram feridos devido aos bombardeios das forças governistas no oeste do país, segundo fontes hospitalares na cidade de Misrata.

Durante o fim de semana, a França manifestou impaciência com a impossibilidade de uma solução política na crise, e intensificou sua pressão sobre os rebeldes para que aceitem negociar com o governo de Muammar Gaddafi.

Mas, na segunda-feira, o chanceler francês, Alain Juppé, disse que a Otan precisa continuar intensificando sua pressão militar contra Gaddafi, e reiterou que a renúncia dele ao poder seria um pré-requisito para o fim do conflito.

A França também negou as declarações feitas por um filho de Gaddafi, segundo quem Paris estaria mantendo negociações diretas com Trípoli.

Em Misrata, reduto rebelde no oeste, os rebeldes estão na defensiva, poupando munição e preparando-se para avançar contra as forças governistas na vizinha localidade de Zlitan.

"Na minha opinião, se tivéssemos mais munição já poderíamos estar em Zlitan", disse o combatente rebelde Ali Bashir Swayeba, um dentista de 29 anos.

Uma equipe da Reuters perto da linha de combate relatou ter escutado saraivadas de tiros e a eventual explosão de um foguete Grad. Em determinado momento, crianças foram vistas jogando futebol, mas a brincadeira teve de ser abandonada por causa da explosão do foguete Grad, perto dali.

Gaddafi, no poder há 41 anos, resiste desde março aos bombardeios da Otan em apoio aos rebeldes, os quais por sua vez se recusam a negociar com o atual governo.

Em entrevista publicada na segunda-feira pelo jornal argelino El Khabar, Saif al Islam, filho de Gaddafi, disse que o governo "na verdade está negociando com a França, não com os rebeldes".

"A França disse: 'Quando chegarmos a um acordo com vocês, vamos forçar o conselho (dos rebeldes) a aceitar um cessar-fogo'", disse Saif al Islam.

A chancelaria francesa negou ter mantido um diálogo com o regime de Gaddafi.

A longa duração e o alto custo da campanha militar em prol dos rebeldes já começam a causar fissuras dentro da Otan, e as divergências devem novamente vir à tona na sexta-feira, quando o chamado grupo de contato, que reúne países aliados contra Gaddafi, se reunir em Istambul.

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