Rebeldes líbios tomam cidades nas montanhas

Rebeldes líbios entraram na cidade de Yafran nesta segunda-feira, expulsando as forças de Muammar Gaddafi, em um sinal de que os ataques aéreos da Otan na área podem estar dando resultados.

YOUSSEF BOUDLAL E PETER GRAFF, REUTERS

06 de junho de 2011 | 14h28

Yafran, cidade situada nas montanhas, estava cercada por forças pró-Gaddafi havia mais de um mês, levando à escassez de alimentos, água potável e remédios.

"Os rebeldes dizem que tomaram a cidade", disse um fotógrafo da Reuters depois de entrar na cidade, vindo do norte. "Não há sinal de forças de Gaddafi."

Situada a 100 quilômetros a sudoeste da capital líbia, Yafran fica na região dos Montes Ocidentais, onde a população local -- a maioria pertencente à minoria étnica berbere -- se uniu ao levante contra Gaddafi.

Os rebeldes controlam o leste da Líbia, a cidade de Misrata, no oeste, e a cadeia montanhosa próxima à fronteira com a Tunísia. Suas tentativas de avançar sobre a capital vêm sendo bloqueadas pelas forças de Gaddafi, mais bem equipadas.

Não estava claro se as forças de Gaddafi permaneciam ao sul de Yafran.

Bandeiras rebeldes eram visíveis na cidade, além de cartazes e fotos de Gaddafi riscados e apagados.

Indagado sobre relatos sobre avanços dos rebeldes na região dos Montes Ocidentais, o vice-primeiro-ministro líbio, Khaled Kaim, disse a jornalistas que as forças do governo poderiam retomar o território rebelde em questão de horas, mas estavam evitando fazê-lo para evitar mortes de civis.

Aviões de guerra britânicos destruíram dois tanques e dois veículos blindados de transporte de tropas em Yafran em 2 de junho.

Cidades em toda a cadeia montanhosa vêm sendo atacadas pelas forças pró-Gaddafi. Residentes que fugiram da cidade disseram que Yafran passou por algumas das provações mais difíceis.

Um porta-voz rebelde chamado Abdulrahman disse que as forças de Gaddafi começaram a bombardear Zintan, outra cidade nas montanhas, 40 quilômetros a oeste de Yafran, na manhã desta segunda-feira, usando foguetes Grad.

"Dois civis viraram mártires (morreram) e um terceiro ficou ferido", disse ele.

Os relatos sobre Zintan não puderam ser averiguados independentemente, porque o acesso de jornalistas à região é limitado.

A situação entre as tropas de Gaddafi e os rebeldes do leste é de impasse há semanas. Nenhum dos lados consegue dominar o território num trecho de estrada entre Ajdabiyah e a cidade petrolífera de Brega, controlada por Gaddafi, mais a oeste.

A Grã-Bretanha e a França vêm sendo as forças motrizes por trás da intervenção militar da Otan. O chanceler britânico, William Hague, viajou a Benghazi no fim de semana e pediu que o Conselho Transicional Nacional (CTN), dos rebeldes, trace um plano detalhado de como vai administrar a Líbia após a saída de Gaddafi, para evitar o tipo de caos desencadeado no Iraque.

(Reportagem adicional de Sherine El Madany em Benghazi, Hamid Ould Ahmed em Argel, Justyna Pawlak em Bruxelas, Elizabeth Pineau em Paris; reportagem adicional e redação de John Irish em Rabat)

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