Rebeldes perdem pólo petrolífero sob ataque na Líbia

Rebeldes líbios se retiraram da cidade petrolífera de Ras Lanuf nesta quarta-feira sob intenso bombardeio das forças de Muammar Gaddafi, expondo sua fraqueza sem ataques aéreos ocidentais para fazer a balança pender a seu favor.

MARIA GOLOVNINA E MICHAEL GEORGY, REUTERS

30 Março 2011 | 10h08

A rápida reversão ocorreu somente dois dias após os rebeldes partirem rumo ao oeste pela estrada costeira em franca perseguição ao Exército do governo, que viu seus tanques e artilharia arrasados em cinco dias de bombardeio aéreo na cidade de Ajdabiyah.

O Exército de Gaddafi primeiro emboscou o comboio insurgente nas cercanias de Sirte, cidade-natal do líder líbio, e depois a flanqueou no deserto, uma manobra que exigiu o tipo de disciplina totalmente ausente na força rebelde improvisada.

Na ofensiva, tanques e artilharia do governo desencadearam um intenso bombardeio em cidades pequenas e grandes, o que como em outras ocasiões forçou a fuga dos revoltosos. Esta tática parece ter funcionado mais uma vez em Ras Lanuf, um terminal de petróleo 375 km a leste da capital Trípoli.

"Gaddafi nos atingiu com grandes foguetes. Ele entrou em Ras Lanuf", disse o combatente rebelde Faraj Muftah à Reuters após se retirar da cidade. "Estávamos na saída oeste e fomos bombardeados", declarou Hisham, outro combatente.

Dezenas de insurgentes em picapes 4x4 dispararam rumo ao leste fugindo de Ras Lanuf, relatou um jornalista da Reuters.

ATAQUES AÉREOS

Sem os ataques aéreos ocidentais, os rebeldes parecem incapazes de fazer progresso ou sequer manter suas posições contra o poderio de Gaddafi.

À medida que se retiravam, um correspondente da Reuters ouviu aviões, depois uma série de detonações altas perto de Ras Lanuf, mas não estava claro se os sons eram bombas ou o disparo sônico dos jatos.

Mas Ahmed, um combatente que voltava de Ras Lanuf, disse à Reuters: "Os aviões franceses vieram e bombardearam as forças de Gaddafi".

A França foi o primeiro membro da coalizão internacional a anunciar ataques aéreos na Líbia, e os rebeldes normalmente creditam a maioria dos ataques à aviação francesa.

Uma conferência de 40 países e organismos internacionais concordou em levar adiante os bombardeios aéreos conduzidos pela Otan até Gaddafi cumprir a resolução das Nações Unidas e encerrar a violência contra civis.

Na terça-feira o Pentágono disse que 115 incursões aéreas foram realizadas contra as forças de Gaddafi nas 24 horas anteriores, e 22 mísseis de cruzeiro Tomahawk foram disparados.

A Grã-Bretanha informou que dois de seus aviões bombardeiros Tornado atacaram um blindado do governo e duas peças de artilharia nos limites da cidade sitiada de Misrata, no oeste.

A agência de notícias estatal líbia Jana disse que ataques aéreos de forças "da agressão dos cruzados colonialistas" atingiram áreas residenciais na cidade de Garyan, cerca de 100 km ao sul de Trípoli, na terça-feira, e que vários edifícios civis foram destruídos e um número não especificado de pessoas sofreu ferimentos.

(Reportagem adicional de Angus MacSwan, Alexander Dziadosz, Edmund Blair, Maria Golovnina, Michael Georgy, Ibon Villelabeitia, Lamine Chikhi, Hamid Ould Ahmed, Marie-Louise Gumuchian, Andrew Quinn, David Brunnstrom, Steve Holland e Alister Bull)

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