Rebeldes preenchem vácuo de poder em Aleppo, alguns desaprovam

Vendado, tropeçando em seus chinelos, o jovem magro é arrastado ao longo de uma base rebelde em Aleppo por soldados armados que o golpeiam nas costas, na cabeça e em seu rosto.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

04 de agosto de 2012 | 12h53

Um dos homens que são mantidos cativos numa antiga escola por rebeldes que controlam boa parte da maior cidade da Síria, é levado para o ponto mais baixo de um jogo de escadas, no porão, de onde emergem sons de espancamentos e gritos.

O homem de 20 anos de idade foi aprisionado devido a uma queixa de agressão doméstica, dizem rebeldes, junto a pequenos criminosos e supostos membros da milícia shabbiha, que apoia o presidente Bashar al-Assad.

Os soldados dizem que estão tentando impor lei sobre as áreas que controlam, preenchendo o vácuo deixado pelo colapso das autoridades locais e mantendo serviços públicos em operação.

Mas nem todos em Aleppo e suas periferias rurais estão satisfeitos com os rebeldes do Exército Livre da Síria: alguns dizem que suas operações de vigilância são frequentemente vinganças mal disfarçadas e que eles são arrogantes.

"Se eles não gostam das ações de uma pessoa, eles a capturam, a espancam e a prendem", disse um homem que se identificou como Abu Ahmed, na cidade de Azaz, ao norte de Aleppo.

Na base de Aleppo, guardas rebeldes escoltam uma série de homens vendados ao banheiro ao longo do dia. Um homem pressiona as mãos contra o estômago após uma sessão de espancamento.

Abu Zaher, o comandante e líder administrativo de quarenta anos de idade dos soldados desta base, diz que seus homens estão trabalhando para manter a ordem em sua área de controle.

"Não somos apenas um exército de lutas", disse. "Também somos um grupo com uma visão de reforma, queremos trazer de volta a moralidade e a civilização para nosso país".

O comandante militar Abu Ali disse que os rebeldes "organizam para que a farinha seja entregue aos fornos, de maneira a manter o fluxo de pão assado para os vizinhos", e lidam com questões domésticas entre casais que os procuram para proteção.

"Lutamos contra pequenos roubos nas ruas para afastar os ladrões", adiciona.

Um fluxo constante de pessoas caminha através da entrada da base durante o dia com uma série de pedidos --doações de combustível, ajudar a reconstruir uma casa, pedidos de liberação de carros confiscados pela polícia devido a violações de leis de trânsito.

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