Rebeldes sírios dizem não haver negociação para soltar pessoal da ONU

Os rebeldes que mantém como reféns 21 membros de uma força de paz da ONU no sul da Síria disseram na sexta-feira que não há negociações em curso para libertá-los.

OLIVER HOLMES, Reuters

08 de março de 2013 | 09h24

Os reféns, filipinos, são parte da Força Observadora de Desengajamento (Undof, na sigla em inglês), que monitora desde 1974 a linha de cessar-fogo entre Síria e Israel nas colinas do Golã, território sírio capturado em 1967 por Israel.

O sequestro ocorreu a cerca de 1,5 quilômetro da linha de cessar-fogo, e representa mais um sinal de que a guerra civil síria, iniciada há quase dois anos, ainda pode transbordar para países vizinhos.

Em vários vídeos divulgados na quinta-feira, os membros da força de paz dizem estar sendo bem tratados na aldeia de Jamla por civis e rebeldes contrários ao presidente Bashar al Assad.

Abu Essam Taseel, porta-voz da brigada "Mártires de Yarmouk", que capturou os estrangeiros na quarta-feira, disse que eles são "hóspedes", não reféns, e que estão sendo retidos para sua própria segurança.

Ele acrescentou que os soldados só serão liberados quando as forças de Assad deixarem os arredores da aldeia. "As negociações deveriam ocorrer entre (a ONU) e o regime de Bashar al Assad para interromper o bombardeio e suspender o bloqueio da área, para que ela possa ficar segura", afirmou.

Taseel disse que os observadores da ONU tinham a obrigação de manter armas pesadas longe da região. Por um acordo mediado pelos EUA em 1974, Israel e Síria ficaram autorizados a manter um pequeno número de tanques e soldados a uma distância de até 20 quilômetros da linha de cessar-fogo.

O porta-voz da brigada rebelde disse que o governo ultrapassou esses limites, e que seus aviões têm bombardeado alvos da oposição a até 500 metros da linha.

O governo sírio não se manifestou.

Em um relatório divulgado em dezembro, a ONU disse que forças governamentais e rebeldes estavam presentes na área desmilitarizada da Síria, e que as operações do Exército de Assad haviam "afetado adversamente" as operações da Undof.

O Exército de Israel disse à Reuters que oito soldados da Undof foram "retirados para Israel" dos seus postos de observação na sexta-feira, mas não citou as razões para isso.

A ONU estima que 70 mil pessoas já tenham sido mortas na Síria em dois anos de conflito. Uma rebelião que começou principalmente com protestos pacíficos contra Assad, em março de 2011, degringolou para um conflito armado de caráter cada vez mais sectário, contrapondo a maioria sunita do país à seita minoritária alauíta, de Assad.

(Reportagem adicional de Dominic Evans, em Beirute, e Ori Lewis, em Jerusalém)

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