Rebeldes sírios dizem ter tomado capital provincial

Combatentes rebeldes capturaram nesta segunda-feira a cidade de Raqqa, no nordeste da Síria, e uma multidão pôs abaixo uma estátua do pai do presidente Bashar al-Assad, segundo moradores e fontes da oposição.

KHALED YACOUB OWEIS, Reuters

04 de março de 2013 | 20h29

Se confirmada, a conquista de Raqqa, à beira do rio Eufrates, seria um fato significativo em dois anos de rebelião contra Assad, já que os rebeldes até agora não haviam declarado controlar nenhuma outra capital provincial.

Combatentes rebeldes disseram que forças legalistas ainda resistem no aeroporto provincial, a cerca de 60 quilômetros da cidade, e que continuam sendo uma ameaça. Um morador disse que a sede local da inteligência militar não estava em poder dos rebeldes, embora sitiada por eles.

Nesta segunda-feira, a guerra civil síria se fez sentir no vizinho Iraque, onde autoridades relataram que pistoleiros mataram pelo menos 40 militares e funcionários públicos sírios que voltavam para o seu país depois de fugirem de uma ofensiva rebelde na semana passada.

Cerca de 65 soldados e funcionários sírios se entregaram na sexta-feira a autoridades iraquianas depois de rebeldes capturarem o lado sírio da fronteira na localidade de Yaarabiya.

As autoridades iraquianas estavam levando o grupo para outra passagem fronteiriça, mais ao sul, quando pistoleiros emboscaram o comboio, segundo relato feito à Reuters por uma autoridade iraquiana de alto escalão. Nenhum grupo reivindicou o ataque, que ocorreu na província iraquiana de Anbar, um reduto sunita.

Segundo essa fonte, o ataque matou 40 sírios e também alguns soldados iraquianos que escoltavam o grupo.

O deputado provincial Hikmat Suleiman Ayade disse que o incidente matou 61 pessoas, incluindo 14 iraquianos que escoltavam o comboio.

O incidente em Anbar mostra como o conflito sírio tem potencial para se espalhar para outros países da região. Atualmente, os sunitas de Anbar têm realizado protestos contra supostas discriminações cometidas pelo governo nacional comandado pelo xiita Nuri al-Maliki.

No Síria, a maioria sunita participa ativamente da rebelião contra Assad, membro da seita minoritária alauíta, uma derivação do islamismo xiita.

Ao contrário de outros países árabes, o governo do Iraque busca se manter neutro com relação ao conflito sírio, argumentando que as turbulências nesse país ameaçam desestabilizar toda a região.

Também nesta segunda-feira, o embaixador de Israel na Organização das Nações Unidas (ONU) disse que seu país não poderá "ficar parado" diante do risco de espalhamento do conflito sírio. Ele se queixou de que projéteis disparados na guerra civil síria estariam atingido o território israelense.

(Reportagem adicional de Oliver Holmes, em Beirute; de Kamal Naama, em Anbar; e de Angus McDowall, em Riad)

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