Rebeldes sírios retêm monitores da ONU 'por proteção'

Combatentes rebeldes disseram na terça-feira que estão retendo sete monitores da Organização das Nações Unidas (ONU) para a própria segurança deles na cidade de Khan Sheikhoun, na região central da Síria, depois de o carro em que estavam ter sido danificado no que um dos monitores chamou de explosão.

MARIAM KAROUNY, REUTERS

15 Maio 2012 | 16h09

A equipe, que integra uma missão de monitoramento da ONU para supervisionar um acordo de cessar-fogo na Síria, visitava o reduto rebelde por volta do meio-dia, quando um funeral terminou em violência.

Os rebeldes afirmaram que as forças sírias de um posto de fiscalização nas proximidades dispararam contra o funeral - com granadas lançadas por foguetes ou a partir de veículos blindados - matando ao menos 21 pessoas e danificando um dos quatro carros da ONU.

A televisão síria Addounya atribuiu a violência a atiradores, que, segundo ela, teriam sequestrado os observadores.

O escritório da ONU em Damasco não quis comentar o incidente, mas um dos observadores em Khan Sheikhoun disse que nenhum integrante da equipe foi ferido e que eles estavam com os rebeldes do Exército de Libertação da Síria.

"Fomos observar e depois de um tempo ocorreram os disparos", disse ele à Reuters por telefone, acrescentando que o tiroteio foi seguido pela explosão que danificou o carro.

A equipe estava tentando organizar o retorno em segurança à base, disse ele, sem fornecer detalhes.

Imagens da Internet, que ativistas afirmam terem sido feitas em Khan Sheikhoun na terça-feira, mostraram um carro branco do mesmo tipo usado pelos monitores da ONU com um estrago na parte da frente que pode ter sido causado por uma explosão ou uma colisão.

"Estamos seguros com o Exército de Libertação e aguardamos um grupo (da ONU) que virá nos buscar", disse um segundo monitor.

Não estava claro de imediato por que eles continuavam em Khan Sheikhoun várias horas depois da violência, uma vez que a ONU tem equipes em cidades próximas, como Hama e Idlib.

Sami al-Kurdi, porta-voz do conselho militar rebelde, disse que os rebeldes estão trabalhando para organizar uma retirada segura dos observadores.

"Eles estão agora com o Exército de Libertação, que está fazendo a proteção deles. Se forem embora, o regime acabará com eles, porque foram testemunhas de um de seus crimes e ele não quer que contem a verdade", disse ele à Reuters.

Outro rebelde do Exército de Libertação da Síria afirmou que os observadores foram levados a um local mais seguro na cidade e estavam sendo alimentados.

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