Hasan Shaaban/Reuters
Hasan Shaaban/Reuters

Rebeldes sírios sequestram 13 xiitas libaneses

Grupo voltava de uma peregrinação quando foi capturado; Líbano sofre com violência que assola Síria

MARIAM KAROUNY, REUTERS

22 Maio 2012 | 19h40

BEIRUTE - Rebeldes sírios sequestraram na terça-feira, 22, 13 xiitas libaneses na província de Aleppo, no norte da Síria, num incidente que motivou protestos em Beirute.

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O grupo voltava de uma peregrinação quando foi capturado. Nos últimos dias, o Líbano tem sido tragado pela violência que assola a vizinha Síria há 14 meses, e nesta semana o assassinato de um clérigo sunita libanês que se opunha ao regime sírio fez com que Beirute registrasse seus piores distúrbios desde os confrontos sectários de 2008.

Em bairros xiitas de Beirute, famílias dos reféns bloquearam os acessos ao aeroporto da cidade. Essa região é reduto do Hezbollah, partido político e grupo armado xiita ligado ao regime sírio.

"O Exército Sírio Livre (ESL, grupo rebelde) disse que os pegou. Eles deixaram as mulheres irem embora e mantiveram os homens. Eles lhes disseram que vão mantê-los até que o Exército sírio liberte os detentos do ESL", disse um parente de um refém.

"Quando cruzamos a fronteira, cerca de 40 pistoleiros pararam o ônibus e o forçaram a ir a um pomar próximo, e disseram que as mulheres deveriam ficar no ônibus, e que os homens saíssem", relatou Hayat Awali, que se identificou como passageira do veículo, falando de Aleppo à TV libanesa Al Jadeed.

"Dissemos a eles que éramos apenas peregrinos. Eles disseram: 'Peguem seus peregrinos e vão à delegacia de polícia em Aleppo, e digam a eles que temos prisioneiros e que os queremos'."

Pela TV libanesa, o líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, pediu moderação. "Qualquer ato de violência ou ação individual não irá ajudar em nada neste caso", afirmou.

Horas antes do sequestro, um tribunal libertou sob fiança um sunita cuja prisão, ocorrida neste mês, motivou distúrbios em uma região sunita do norte libanês onde há grande apoio à rebelião contra Assad, que é membro da seita minoritária alauita.

Damasco diz que algumas regiões libanesas são um antro de "terroristas" ligados à Al Qaeda e às facções islâmicas que dominam a fragmentada oposição síria, e exige que o Líbano interrompa o fluxo de armas para os insurgentes no território sírio.

Também na terça-feira, ativistas e a TV síria disseram que uma bomba matou cinco pessoas num bairro de Damasco onde há frequentes protestos contra Assad, além de confrontos entre insurgentes e forças de segurança.

Horas depois, rebeldes na cidade de Deir al Zor (leste) - onde um carro-bomba matou nove pessoas em um posto da inteligência militar há três dias - afirmaram que a polícia síria matou duas pessoas ao dispararem contra uma multidão que havia ido à rua recepcionar monitores da ONU.

Uma porta-voz da ONU disse que os monitores ouviram disparos, mas não viram vítimas nos arredores da aldeia de Al Busaira. Ela acrescentou que a equipe da ONU tentou evitar que a população acompanhasse o grupo até a cidade, controlada pelo governo.

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