Rebeldes sírios usam crianças em combates, diz Human Rights Watch

Rebeldes sírios que lutam para derrubar o presidente Bashar al-Assad enviaram crianças para o combate e usaram garotos de 14 anos para o transporte de armas e suprimentos, disse a Human Rights Watch nesta quinta-feira.

Reuters

29 de novembro de 2012 | 13h51

O grupo baseado em Nova York informou que entrevistou cinco meninos com idades entre 14 e 16 anos que contaram que eles trabalhavam com rebeldes na província de Deraa, região central de Homs, e na fronteira norte com a Turquia.

Três deles, todos com 16 anos, disseram que portavam armas e um contou que participou de missões de ataque. Dois outros, com idades entre 14 e 15 anos, disseram apoiar as brigadas de combate, realizando reconhecimento ou transporte de armas e suprimentos.

"Todos os olhos estão voltados para a oposição síria para provar que eles estão tentando proteger as crianças de balas e bombas, ao invés de colocá-los em perigo", disse Priyanka Motaparthy, pesquisadora dos direitos das crianças da Human Rights Watch.

Um rapaz de 16 anos, do distrito Khalidiyeh da cidade de Homs, disse à HRW que ele participou de missões de combate.

"Eu costumava portar uma Kalashnikov... Eu costumava atirar em postos de controle... para capturar e tomar as armas", contou ele, acrescentando que seu batalhão de 2.000 soldados lhe deu treinamento para combate. Ele se voluntariou junto com seu irmão mais velho e outros parentes.

Outro menino, de Homs, disse que as crianças assumiram vários papéis. "O trabalho que você tem depende de você", afirmou ele. "Se você tem um coração valente, eles vão te enviar para (atacar) os postos de controle."

O menino mais novo citado pelo grupo de direitos era de 14 anos, que disse que ele transportou armas, comida e outros suprimentos para os combatentes, perto da fronteira turca.

O Centro de Documentação de Violações na Síria, um grupo de monitoramento da oposição, documentou a morte de pelo menos 17 crianças que lutaram com o FSA. Muitos outros foram gravemente feridos, e alguns permanentemente incapacitados, relatou a HRW.

(Reportagem de Dominic Evans)

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