Reconciliação com o Hamas foi 'mal entendido', diz Fatah

Representante palestino afirma que assinatura de proposta por negociador foi precipitada

Agências internacionais,

24 de março de 2008 | 09h06

Um representante da facção política palestina Fatah assinou uma proposta referente à busca pela reconciliação com o grupo islâmico Hamas por causa de um "mal entendido", alegou nesta segunda-feira, 24, um líder da facção. Com base em um plano iemenita, o Fatah e o Hamas aceitaram trabalhar pela unificação do governo palestino. Desde meados do ano passado, o Hamas controla a Faixa de Gaza e o Fatah, a Cisjordânia. O plano iemenita foi assinado no domingo por um representante do Hamas e pelo ex-primeiro-ministro palestino Azzam al-Ahmed, ligado à cúpula do Fatah. Nesta segunda, no entanto, o negociador-chefe da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Ahmed Qureia, considerou que al-Ahmed foi precipitado. De acordo com ele, al-Ahmed telefonou para o presidente da ANP, Mahmud Abbas, antes de assinar o documento, mas o líder palestino estava ocupado conversando com o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. Segundo Qureia, que também faz parte do alto escalão do Fatah, houve um "mal entendido" envolvendo a assinatura. Outros assessores de Abbas disseram que al-Ahmed não deveria ter assinado o documento. O anúncio de domingo foi o primeiro sinal real de progresso desde meados do ano passado. Segundo a BBC, a disputa entre as duas facções fez com que a Cisjordânia e a Faixa de Gaza sejam administradas por grupos rivais.  Na época, o Hamas, depois de sentir que foi injustamente forçado a dividir o poder mesmo depois de ter vencido as eleições, tomou violentamente o controle da Faixa de Gaza. Dezenas foram mortos na pior luta entre facções na história palestina recente. Nos nove meses que se seguiram, as duas principais facções praticamente não se comunicaram diretamente, mas depois de cinco dias de negociações patrocinadas pelo presidente do Iêmen, Ali Abdallah Saleh, elas se comprometeram a ampliar o diálogo. Qualquer resolução, no entanto, vai depender de como e quando o Hamas abrir mão do controle da Faixa de Gaza.

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