Rede AL-Jazeera é processada nos EUA por colaborar com o Hezbollah

Segundo envolvidos, canal transmitiu imagens do lançamento de foguetes para ajudar movimento a mirar

Efe,

13 de julho de 2010 | 18h36

NOVA YORK- Um tribunal federal de Nova York recebeu um processo milionário contra o canal árabe AL-Jazeera, no qual 91 envolvidos consideram que as transmissões da emissora ajudaram o movimento radical islâmico Hezbollah durante a última guerra do Líbano, em 2006.

 

O processo, divulgado nesta terça-feira, 13, foi apresentado ontem, no aniversário de quatro anos da guerra entre Líbano e Israel, e é fundamentado por israelenses, canadenses e americanos que se dizem vítimas ou familiares dos atingidos por foguetes que o Hezbollah disparou entre 12 de julho e 14 de agosto de 2006. Os envolvidos pedem que o canal pague uma indenização de US$ 1,2 bilhões.

 

De acordo com os requisitantes, a rede retransmitiu intencionalmente imagens dos lugares onde os foguetes e mísseis do Hezbollah caíram, o que permitiu ao movimento xiita "ajustar a direção e trajetória dos projéteis seguintes".

 

A guerra, na qual morreram 1.100 libaneses e cerca de 150 israelenses - dos quais ao menos 43 eram civis, de acordo com o processo - durou 34 dias e acabou depois de um cessar-fogo mediado pela ONU.

 

O norte de Israel foi atingido por quase 4.000 foguetes disparados do sul do Líbano por militantes do Hezbollah. "esses foguetes não tinham sistema de direção interna, por isso, dispará-los com pontaria era extremamente difícil", afirma o texto do processo, que também acusa que "essa organização mirava intencionalmente em zonas civis e centros de população".

 

Segundo os demandantes, "a única maneira do Hezbollah - e outros grupos terroristas que lançam foguetes contra Israel, como o Hamas - disparar estes foguetes com precisão, seria obtendo informações sobre o lugar exato em que caíam".

 

Em 2003, as autoridades militares israelenses proibiram todos os canais de televisão de retransmitir este tipo de informação e, segundo o processo, a notificação também foi remetida à AL-Jazeera.

 

Por meio de um comunicado, Nitsana Darshan-Leitner - advogada que representa os 91 envolvidos e fundadora da organização israelense Shurat Hadin Israeli Law Center, garantiu que "a AL-Jazeera permitiu a si mesma converter-se em um componente crucial na ofensiva do Hezbollah".

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