Refém britânica no Afeganistão morre em tentativa de resgate

Uma assistencialista britânica seqüestrada por atiradores no Afeganistão no mês passado foi morta por seus captores após uma tentativa frustrada de resgate, declarou o governo britânico neste sábado, e quatro soldados da Otan pereceram em um ataque insurgente.

PATRICK MARKEY, REUTERS

09 de outubro de 2010 | 11h38

A morte da britânica que trabalhava em operações de ajuda a populações locais acontece no momento em que o presidente Hamid Karzai busca apoio tribal a uma ofensiva liderada pela Otan contra o Taliban em seu encrave no sul do país, uma tentativa de virar o jogo em uma guerra que já se arrasta há mais de nove anos.

Linda Norgrove, de 36 anos, trabalhava para um grupo de assistência dos EUA e foi feita refém em 26 de setembro, quando foi capturada com três assistentes afegãos enquanto visitavam um projeto em uma parte remota da província de Kunar, uma terra sem lei na fronteira com o Paquistão.

"A responsabilidade por este desfecho trágico repousa inteiramente nos ombros dos seqüestradores. A partir do momento em que a levaram, sua vida esteve gravemente ameaçada," afirmou o secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, em um comunicado.

Hague não deu maiores detalhes sobre o malfadado resgate da noite de sexta-feira, e as razões do seqüestro de Norgrove não estão claras. Ex-funcionária da ONU, Norgrove era diretora de um programa de assistência norte-americano com orçamento de 150 milhões de dólares para erguer economias locais.

Sua morte sublinha os crescentes riscos enfrentados por assistencialistas no Afeganistão, onde insurgentes e outros grupos armados que controlam muitas regiões do país.

Em agosto, oito médicos estrangeiros, incluindo uma britânica e dois afegãos, foram mortos por atiradores não identificados no nordeste. Insurgentes ainda detêm dois jornalistas franceses capturados em dezembro passado.

A guerra do Afeganistão tem sido um fardo para o governo do presidente Barack Obama, que juntamente com seus aliados na Otan sofre pressão em casa para por fim ao impopular conflito.

A guerra está em seu pico de violência desde que o Taliban foi derrubado em 2001 por forças apoiadas pelos EUA. Cerca de 150 mil soldados estrangeiros estão no país e mais de dois mil foram mortos desde o início dos combates, mais da metade só nos dois últimos anos.

No mais recente incidente, quatro soldados italianos foram mortos em um ataque insurgente no oeste do país.

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