Refugiados do Paquistão já passam dos 2 milhões, diz ONU

Conflitos entre forças do governo e Taleban começaram no iníciodo mês; milícia diz que vai resistir

Da Redação, estadao.com.br, com agências internacionais

18 de maio de 2009 | 13h34

A agência de refugiados das Nações Unidas (Acnur) anunciou nesta segunda-feira ,18, que as lutas entre as forças militares do governo e a milícia Taleban no Paquistão desabrigaram mais de 1,45 milhão de pessoas desde o início de maio.

 

O porta-voz da agência, Ron Redmond, disse que o total de pessoas desalojadas é de 2 milhões. Outras 550 mil pessoas estão desabrigadas devido a uma ofensiva militar anterior na região noroeste do país.

 

Redmond ainda disse que as pessoas estão sendo erradicadas do Paquistão, mais rápido que qualquer outro conflito desde o genocídio de Ruanda, nos anos 90.

 

Combates continuam

 

O Exército disse estar lutando contra os militantes nos arredores da maior cidade do Swat. De acordo com um alto oficial, ao menos mil suspeitos de fazerem parte do Taleban foram mortos na ofensiva. O número não pôde ser confirmado independentemente.

 

O confronto contra os rebeldes islâmicos tem colocado diversos obstáculos ao Exército paquistanês, treinados para combates pesados de artilharia em regiões planas. A guerra de guerrilhas imposta pelo Taleban tem feito os militares optarem por ataques aéreos nem sempre eficazes.

 

O Exército não distingue baixas civis das militares e desde o início da ofensiva, no começo do mês, não há dados sobre o número de mortos entre a população comum. Entre 12 e 15 mil soldados lutam no vale.

 

Taleban promete resistir

 

O comando paquistanês do Taleban prometeu lutar até o último suspiro contra a ofensiva do Exército ao vale do Swat, região fronteiriça com o Afeganistão controlada pelos militantes islâmicos. Mais cedo, o governo iniciou uma série de reuniões políticas para aumentar o apoio para ampliar a ofensiva à região.

 

"Vamos lutar até o último suspiro pela imposição da lei islâmica. Estamos no caminho correto", disse Muslim Khan, porta-voz do grupo, à Associated Press.

 

O governo americano tem pressionado Islamabad para derrotar as bases do Taleban e da Al-Qaeda no vale. Washington teme que o fortalecimento dos militantes possa oferecer uma ameaça ao arsenal nuclear paquistanês. O primeiro-ministro do País, Yousuf Raza Gilani, no entanto, disse nesta segunda-feira que estas armas estão seguras.

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