Hamid Forutan/EFE
Hamid Forutan/EFE

Relatório da ONU pode mostrar atividade nuclear recente do Irã

Medida pode estimular novo debate sobre avaliação controversa dos EUA de que o Irã havia suspendido todo o trabalho de 'armamento' em 2003

Reuters

08 de novembro de 2011 | 13h01

VIENA - Um relatório da agência nuclear da ONU previsto para esta semana deverá mostrar atividade recente no Irã que poderia ajudar no desenvolvimento de bombas nucleares, incluindo relatos de inteligência sobre modelos de tais armas em computadores, disseram diplomatas ocidentais nesta terça-feira, 8. "Há trechos de informações que vão até 2010", informou um diplomata baseado em Viena.

 

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Se confirmado no documento bastante aguardado desta semana, elaborado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), isso poderia estimular um novo debate sobre a avaliação controversa do setor de inteligência dos EUA em 2007 de que o Irã havia suspendido todo o trabalho de "armamento" em 2003.

Essas informações ampliariam as suspeitas no Ocidente de que o Irã está decidido a prosseguir com ao menos parte da pesquisa e desenvolvimento aplicáveis a bombas atômicas, mesmo que o governo iraniano não tenha tomado nenhuma decisão aparente de realmente construí-las, como os diplomatas acreditam.

"Ainda há evidências lá, em que acho que a agência estará em uma posição de dizer que tem sérias preocupações que continuam até os dias de hoje", afirmou outro enviado em Viena, onde está sediada a AIEA.

Mas autoridades ocidentais e especialistas sugeriram que pesquisas e experimentos apontando para objetivos nucleares militares podem não ter continuado na mesma escala de antes de 2003, quando o Irã começou a sofrer crescente pressão ocidental sobre seu trabalho nuclear.

"Entende-se que o Irã continuou ou reiniciou alguma atividade de pesquisa e desenvolvimento desde então", afirmou o analista de proliferação nuclear Peter Crail, da Associação de Controle de Armas, um grupo norte-americano de pesquisa e defesa.

O Irã nega as acusações de que esteja buscando construir armas nucleares, alegando que elas se baseiam em documentos falsos. O país diz que seu programa de enriquecimento de urânio visa gerar eletricidade para que possa exportar maior quantidade de petróleo.

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