Relatório dos EUA denuncia corrupção em milícias afegãs

Um projeto que paga e fornece armas a afegãos para que eles defendam seus vilarejos contra insurgentes está sendo prejudicado pela corrupção e pela dificuldade de distinguir guardas de outros grupos armados, informou um relatório militar dos Estados Unidos.

DANIEL MAGNOWSKI, REUTERS

17 de dezembro de 2011 | 11h49

As unidades da Polícia Local Afegã (ALP, na sigla em inglês) eram um projeto primordial do general norte-americano David Petraeus, que renunciou como comandante das forças no Afeganistão neste ano, mas foram criticadas por grupos de defesa dos direitos humanos, incluindo o Human Rights Watch, que divulgou um comunicado em setembro contra o plano.

O objetivo era usar salários modestos e mentores estrangeiros para construir e formalizar redes locais de proteção em regiões com grande presença de insurgentes e poucos soldados ou policiais, mas críticos dizem que a falta de treinamento e responsabilidade podem tornar os guardas uma ameaça para o povo.

Uma investigação feita pelas forças dos Estados Unidos no Afeganistão sobre as acusações do Humans Rights Watch descobriu que os argumentos eram verossímeis, informou um relatório datado de 6 de dezembro e divulgado nesta semana.

"Muitos dos argumentos que são ligados à ALP não falam sobre unidades dela. Infelizmente, há muitos grupos que se dizem uma ALP ou são identificados como ALPs", afirmou neste sábado um porta-voz das forças dos EUA no Afeganistão.

"Essa foi uma descoberta da equipe de investigadores e foram feitas recomendações para lidar com esse problema", afirmou.

Elas incluem a possibilidade de introdução de um uniforme para todos os membros das ALPs e maior instrução sobre esses grupos.

Os grupos, formados como uma resposta para o aumento da violência no Afeganistão, trabalharam em algumas regiões do país, e os afegãos relataram melhoras na segurança. Porém, em outras áreas, criminosos e insurgentes estão se juntando às milícias, obtendo acesso a dinheiro e armas, informou o Humans Rights Watch.

A ALP deve ser expandida, afirmou na segunda-feira uma autoridade da coalizão liderada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e que está no país. As tropas estrangeiras preparam sua retirada completa do país até o final de 2014.

A investigação, conduzida pelo brigadeiro-general James Marrs, da Força Aérea dos EUA, relatou que a ALP era "efetiva", mas indicou falhas.

"Divisões étnicas, diferenças políticas, batalhas por poder e corrupção são alguns dos múltiplos desafios a serem superados antes de o sistema ficar mais efetivo", escreveu Marrs.

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