Relatório iraquiano condena Blackwater por morte de civis

Documento diz que empresa de segurança americana abriu fogo indiscriminadamente contra iraquianos

Agências internacionais,

21 de setembro de 2007 | 11h38

O Ministério do Interior do Iraque concluiu que os funcionários da empresa de segurança americana Blackwater, acusada de abrir fogo contra civis, atacou indiscriminadamente as vítimas no último domingo, em que pelo menos 11 pessoas morreram. Na primeira apresentação do documento, o Ministério afirma que os seguranças atiraram contra iraquianos de dentro de seus veículos de patrulha. O relatório pede ainda que a empresa seja substituída por uma companhia iraquiana e que a lei que garante imunidade para essas corporações seja descartada. De acordo com a versão do governo, o incidente começou quando uma bomba explodiu por volta das 12 horas perto de uma mesquita que fica ao norte da praça em que aconteceu o tiroteio. Oficiais da embaixada afirmam que os seguranças seguiam para a explosão, mas ainda não está claro se eles pretendiam resgatar oficiais do local do atentado ou simplesmente seguindo para dar suporte no local.   O comboio de pelo menos quatro veículos posicionou-se na praça, bloqueando três acessos ao local. O carro de uma família aparentemente não conseguiu parar diante do bloqueio, fazendo com que os seguranças abrissem fogo contra o veículo e matassem o motorista. "A mulher que estava no passageiro tinha um bebê nos braços", declarou um oficial em condição de anonimato. "Ela começou a gritar. Então, eles abriram fogo contra ela". A fonte disse ainda que os guardar lançaram granadas enquanto o carro continuava se movendo. O veículo incendiou. Os seguranças então teriam entrado na praça atirando. Um policial de trânsito que testemunhou o incidente afirmou que um dos guardar desceu de um dos veículos e abriu fogo. "A Blackwater é considerada 100% culpada, de acordo com esta investigação", conclui o documento. A Blackwater, por sua vez, argumenta que seus funcionários atuaram em legítima defesa, e que os iraquianos mortos eram combatentes armados que ameaçavam o corpo diplomático transportado no comboio. Retomada das atividades A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá retomou nesta sexta, de forma limitada ,a movimentação de comboios diplomáticos protegidos pela companhia de segurança privada. A retomada ocorre quatro dias depois da suspensão de todos os deslocamentos diplomáticos e civis americanos em meio à repercussão negativa de um episódio no qual agentes da Blackwater mataram pelo menos 11 civis iraquianos no último domingo. O desdobramento ocorre depois de um importante assessor do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, ter admitido que será difícil para o governo levar adiante as ameaças de expulsar a Blackwater e outras companhias estrangeiras de segurança privada que atuam no país. Sob condição de anonimato, o assessor comentou que uma saída viável para o impasse seria o pagamento de compensação aos familiares dos pelo menos 11 civis mortos no incidente de domingo e a elaboração de um acordo sobre a criação de um código de conduta para a atuação desses agentes no Iraque. Mirembe Nantongo, porta-voz da embaixada americana em Bagdá, disse que a decisão de retomar os deslocamentos para fora da Zona Verde, uma área fortificada da capital iraquiana, foi tomada depois de consultas junto ao governo iraquiano. Ainda segundo ela, a embaixada promoverá somente deslocamentos considerados essenciais. Quatro dias depois do tiroteio, oficiais americanos disseram que estão preparando a sua própria análise forense do que aconteceu no incidente. Segundo o jornal The New York times, eles se recusam a dar qualquer informação antes de concluírem os trabalhos.

Tudo o que sabemos sobre:
IraqueBlackwater

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.