Relatório israelense faz justiça ao Hezbollah, diz xeque libanês

Líder diz que Israel já planejava o conflito contra o Líbano com antecedência e foi previamente preparada

Agência Estado e Associated Press,

07 de fevereiro de 2008 | 12h26

O xeque Hassan Nasrallah, líder do grupo guerrilheiro pró-iraniano Hezbollah, afirmou em entrevista que um relatório israelense sobre a guerra travada entre julho e agosto de 2006 entre a guerrilha e o Exército do Estado judeu faz justiça à organização rebelde e prova que Israel já vinha planejando o conflito com antecedência. Numa entrevista levada ao ar no fim da noite de quarta-feira, 6, Nasrallah comentou, entre outros assuntos, as conclusões da Comissão Winograd, criada por Israel para investigar o conflito. Os integrantes da comissão admitiram que Israel não venceu a guerra e não conseguiu responder com eficácia aos disparos de foguetes efetuados pelos guerrilheiros. Nasrallah concedeu a entrevista ao lado de seu aliado político cristão Michel Aoun. O xeque buscou aplacar as críticas de oponentes políticos internos que acusaram a guerrilha de ter iniciado a guerra ao desencadear um ataque no qual três soldados israelenses morreram e dois foram capturados. O relatório de 629 páginas foi divulgado em 30 de janeiro por um painel liderado pelo juiz aposentado Eliyahu Winograd. O documento critica tanto o governo quanto o Exército de Israel por "sérias falhas e lapsos", mas não acusa o primeiro-ministro Ehud Olmert pessoalmente pelo inesperado fracasso militar que animou os inimigos do Estado judeu. Israel deflagrou a campanha militar contra o Hezbollah em julho de 2006. A guerra estendeu-se por 34 dias e, segundo números oficiais, provocou a morte de entre 1.035 e 1.191 libaneses, civis em sua maioria, e de 159 israelenses, militares na maioria. "A Comissão Winograd não tinha o objetivo de fazer justiça a nós. Seu objetivo era o interesse de Israel e a correção de erros", disse Nasrallah à emissora de televisão libanesa OTV durante a entrevista de três horas e meia de duração. "Mas o que faz justiça a nós é a parte que diz que a guerra fora planejada com antecedência. Ela já estava preparada", enfatizou.  De acordo com o xeque, Israel planejava promover um ataque preventivo contra o Hezbollah entre o fim de setembro e o início de outubro de 2006 com o objetivo de erradicar a guerrilha em três dias. "Graças a Deus (a guerra) aconteceu em julho", agradeceu o líder do grupo. Nasrallah não ofereceu evidências para sustentar sua afirmação. Israel alega ter sido forçado a ir à guerra pelas ações do Hezbollah. A Comissão Winograd, por sua vez, concluiu que "Israel iniciou uma guerra longa que terminou sem uma clara vitória militar". Os autores do documento qualificam o Hezbollah como "uma organização paramilitar de uns poucos milhares de homens que resistiu por algumas semanas ao mais forte Exército do Oriente Médio, que goza de total superioridade aérea, além de vantagens tecnológicas e de volume de contingente".

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