Relatório oficial dos EUA aponta fracasso no Iraque

Prévia de documento diz que política adotada na guerra foi 'negativa' e contradiz oficiais no país

Agências internacionais,

30 de agosto de 2007 | 07h56

O Escritório de Supervisão do governo dos Estados Unidos (GAO, sigla em inglês) preparou uma minuta de relatório que antecipa algumas das principais conclusões e denuncia o fracasso da política americana no Iraque, segundo revela nesta quinta-feira, 30, matéria publicada no site do jornal The Washington Post.O jornal classifica como "notavelmente negativa" a minuta do relatório de 69 páginas. O documento conclui que "a legislação fundamental não foi aprovada, a violência continua sendo alta e não fica claro se o governo do Iraque investirá US$ 10 bilhões em projetos de reconstrução". O Washington Post explica que o funcionário que vazou o conteúdo do relatório teme que ele seja "diluído" na sua versão final. Outros funcionários afirmam que foi isso que aconteceu com o último relatório mensal "National Intelligence Estimate", que reúne os pontos de vista de 16 agências federais. Segundo a minuta do relatório, pelo menos 13 das 18 metas fixadas pelos congressistas para avaliar o progresso político e militar estarão incompletas até o prazo final para a divulgação do documento dos oficiais no país, 15 de setembro.O relatório ressalta que não foram aprovadas reformas constitucionais, além do fracasso no processo de depuração dos membros do antigo governo e a falta de legislação no setor do petróleo. Ele ressalta ainda que o número de unidades militares iraquianas capazes de operar independentemente baixou de dez, em março, para seis, em julho.A versão definitiva do documento será enviada na terça-feira ao Congresso dos EUA. Enquanto isso, a Casa Branca prepara o seu próprio relatório, que será apresentado na segunda semana de setembro.  O general David Petraeus, comandante militar no Iraque, vai expor aos congressistas suas propostas estratégicas. Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca, declarou ao jornal que "não é surpreendente que o Escritório de Supervisão do governo proporcione esse tipo de análise, dada a difícil tarefa de avaliação encomendada pelos congressistas". Segundo o balanço publicado pelo jornal americano, 3.730 soldados americanos morreram em combate no Iraque e mais de 27.660 foram feridos. Eles estimam ainda que até 77 mil civis podem ter morrido desde o início da ofensiva americana em 2003. Ampliação de verbaA administração americana precisará de mais dinheiro para manter a guerra no Iraque. O jornal The Washington Post informou na sua edição de quarta-feira, citando fontes sob anonimato, que o governo do presidente George W. Bush deverá pedir ao Congresso mais US$ 50 bilhões para o próximo ano fiscal americano, que começa em 1 de outubro, que deverão ser gastos na guerra. Segundo o jornal, o pedido será feito após a divulgação do relatório sobre a situação no Iraque que o general Petraeus está preparando. A administração Bush já programou um pedido de US$ 142 bilhões para a Guerra do Iraque no orçamento de 2008. Os US$ 50 bilhões serão um suplemento. O porta-voz da Casa Branca, Scott Stanzel, disse que a reportagem é uma especulação e afirmou que nenhuma decisão foi tomada ainda sobre "quando ou quais mudanças específicas" serão feitas no pedido do orçamento.  Segundo ele, as mudanças aguardarão a divulgação do relatório sobre a situação no Iraque, previsto para ser divulgado em 15 de setembro.

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