Renunciam na Jordânia 16 membros de comitê de diálogo nacional

Comitê para o Diálogo Nacional foi criado com o objetivo de analisar as reivindicações políticas durante as manifestações no país; repressão policial foi uma das causas da renúncia

Efe

26 de março de 2011 | 06h37

AMÃ - Pelo menos 16 membros do Comitê para o Diálogo Nacional na Jordânia, formado por 53 personalidades políticas, renunciaram neste sábado, 26, a seus postos em protesto pela repressão policial em uma manifestação política na sexta-feira.

"O que ocorreu não foi um enfrentamento entre a Juventude do 24 de Março e simpatizantes do Governo, mas uma ação sistemática de parte das autoridades, que deveria ser responsabilizada pelo massacre", disseram os políticos em comunicado conjunto.

Pelo menos duas pessoas morreram na sexta-feira e cerca de 120 ficaram feridas, segundo uma apuração de vítimas atualizada hoje, quando a Polícia interveio durante um choque entre grupos políticos rivais em uma praça de Amã, segundo fontes oficiais.

Mas os ativistas da oposição, que criaram na quinta-feira o movimento Juventude do 24 de Março, contaram que foram atacados tanto pelos policiais como pelos simpatizantes do governo, que desde a noite de quinta-feira lhes atacavam com pedradas.

Trata-se dos incidentes mais violentos desde que há semanas iniciaram os protestos políticos contra o Governo jordaniano, inspirados nas revoltas de Tunísia e do Egito.

Entre os signatários da renúncia se encontra o secretário-geral do esquerdista Partido de Unidade Popular, Said Thiab, e o secretário-geral do Partido Comunista da Jordânia, Munir Hamarneh.

O Comitê para o Diálogo Nacional foi criado pelo primeiro-ministro jordaniano, Marouf Bakhit, em 13 de março, com o objetivo de analisar as reivindicações políticas que surgiram durante as manifestações das últimas semanas.

Os protestos buscam pressionar por reformas constitucionais, além de defender a limitação dos poderes do rei, a dissolução da câmara baixa do Parlamento (a única eleita por voto popular) e a realização de novo pleito parlamentar.

Os principais grupos da oposição, a Irmandade Muçulmana e seu braço político, a Frente de Ação Islâmica (FAI), já haviam rejeitado participar deste comitê porque em sua agenda não estão inclusas as reformas constitucionais que estão reivindicando.

Entre os 53 membros originais do comitê havia representantes moderados da Irmandade Muçulmana e da FAI, mas que nunca chegaram a participar das reuniões.

Na noite de ontem, Bakhit acusou os grupos islâmicos de fomentar os protestos políticos e "receber instruções do Egito e da Síria", advertindo-os de que "parem de brincar com fogo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.