Repórter da sapatada diz que pediu perdão sob tortura

Irmão afirma que jornalista pretende processar as forças de segurança iraquianas por agressões na prisão

Associated Press e Efe,

22 de dezembro de 2008 | 07h46

O jornalista iraquiano que jogou seus sapatos contra o presidente dos EUA, George W. Bush, planeja apresentar um processo contra os serviços de segurança do Iraque por conta das agressores que sofreu, segundo afirmou seu irmão. Segundo Uday, o repórter Muntadar al-Zaidi ainda foi obrigado sob tortura a escrever a carta de desculpas endereçada ao primeiro-ministro Nouri al-Maliki.   Veja também: Gesto de repórter iraquiano é retrato do fim da era Bush Assista ao vídeo da AP com incidente   Veja seqüencia de fotos com a sapatada    Muntadar foi derrubado logo após lançar seus sapatos contra o presidente americano durante uma entrevista coletiva na semana passada. O juiz que investiga o caso reconheceu que ele foi agredido no rosto. Porém, seu irmão assegurou que visitou o jornalista na prisão no domingo e constatou ferimentos mais graves, como a orelha queimada com cigarros e a falta de um dente. Uday afirmou que o irmão pensa em apresentar uma denúncia formal sobre os ferimentos, mas desconhecia outros detalhes do possível processo.   Ainda na semana passada, o escritório do premiê afirmou que al-Zaidi teria escrito uma carta de desculpas e pedindo perdeu a Maliki. Mas Uday afirmou que seu irmão relatou que escreveu a carta após ter sido torturado durante a detenção, inclusive lançando água gelada contra o seu corpo nu. "Ele me disse que não se arrepende e disse que faria o mesmo se pudesse voltar no tempo", afirmou.   O primeiro-ministro afirmou que al-Zaidi disse na carta que um terrorista conhecido o teria induzido dar a sapatada do presidente Bush. Maliki ainda declarou que seu governo mantém "o comprometimento em proteger os jornalistas ao exercer seu oficio profissional" e dá garantias de direitos para a prática da profissão "com as condições de que eles não violem a dignidade dos outros". Nem Bush ou Maliki apresentaram queixas, mas o juiz responsável pelo caso afirmou na semana passada que não tem opção legal para retirar o caso. Al-Zaidi deve enfrentar a acusação de insultar um líder estrangeiro, cuja pena pode ser de pelo menos dois anos de prisão.   O juiz de instrução que conduz o caso disse que concluiu a investigação e enviou o processo a um juizado penal. O magistrado, Dhia al-Kinani, informou em comunicado que o repórter será processado por atacar um chefe de Estado, delito contemplado no parágrafo 3º do artigo 223 do código penal iraquiano, que estipula uma pena máxima de sete anos de prisão. O tribunal agora "terá que estabelecer uma data para o começo do julgamento", explicou.   Por sua parte, o advogado de defesa disse que ainda não foi estabelecida uma data para o início do processo. Ele explicou que apelará perante a máxima instância judicial iraquiana da decisão de enviar o caso do jornalista, de 29 anos, a um juizado penal, "porque não é pertinente de acordo com a ação que ele realizou". A defesa do jornalista quer que o ato de atirar sapatos em Bush seja considerado uma falta, e não um delito, já que, segundo os advogados, o que al-Zaidi fez foi expressar sua opinião.

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