Repórter da sapatada em Bush foi agredido na prisão, diz juiz

Responsável do caso diz que iraquiano tem hematomas no rosto, mas não apresentou queixa formal de agressão

Agências internacionais,

19 de dezembro de 2008 | 07h54

O jornalista iraquiano que lançou seus sapatos no presidente dos EUA, George W. Bush, mostra sinais de que foi agredido, segundo informou nesta sexta-feira, 19, o juiz investigador responsável pelo caso.   Veja também: Gesto de repórter iraquiano é retrato do fim da era Bush Assista ao vídeo da AP com incidente   Veja seqüencia de fotos com a sapatada    O juiz Dhia al Kinani disse que Muntadar al-Zaidi teria hematomas nos olhos e em outras partes do rosto. Kinani afirmou ainda que funcionários da corte "assistirão à gravação do incidente para identificar aqueles que bateram nele". O repórter foi imobilizado após lançar os sapatos em Bush no domingo, quando o líder norte-americano concedia entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki. Bush desviou da sapatada.   No início da semana, o irmão de Muntadar, Dhargham, afirmou que ele teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento e teria sofrido sangramento interno e um ferimento no olho. Outro irmão relatou que o jornalista parecia em boas condições.Muntadar permanece detido e pode ser acusado de insultar um presidente estrangeiro, crime que pode acarretar em até 15 anos de prisão.   O juiz afirmou que o jornalista não apresentou uma queixa formal sobre possíveis agressões. Ele também confirmou que o repórter escreveu uma carta pedindo desculpas ao premiê pelo incidente. Na quinta, um porta-voz de Maliki afirmou que Muntadar descreveu seu comportamento como "um ato feio" e pediu ao premiê que o perdoasse. "É muito tarde agora para lamentar o grande e feio ato que eu pratiquei", escreveu Al-Zeidi, de acordo com Majid. Segundo ele, Muntadar lembrou na carta uma entrevista que Maliki lhe concedeu em 2005, quando convidou o repórter para ir à sua casa e disse: "Entre, esta também é a sua casa".   Milhares de iraquianos realizaram manifestações pela libertação de Muntadar. Em outro países árabes também houve protestos contra a prisão. O juiz disse que a investigação será encerrada e enviada a uma corte criminal no domingo. Em seguida será estabelecida a data para uma audiência no caso.   Na capital iraniana, Teerã, o aiatolá linha-dura Ahmad Jannati elogiou o ato durante as preces desta sexta-feira, qualificando-o como a "Intifada do sapato". Jannati sugeriu que as pessoas carregassem sapatos durante as manifestações contra os EUA. Também nesta sexta-feira, o pai de uma grande família da Cisjordânia afirmou que oferecia uma das suas filhas para se casar com o jornalista solteiro. O palestino Ahmad Salim Judeh, de 75 anos, disse também que seu clã, com em torno de 500 membros, havia recolhido US$ 30 mil para a defesa do jornalista.

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