Repórter que jogou sapato em Bush pega 3 anos de prisão

O repórter iraquiano que atirou seus sapatos contra o ex-presidente norte-americano, George W. Bush, foi condenado nesta quinta-feira a três anos de prisão por tentar agredir um líder estrangeiro. A sentença desagradou muitos iraquianos que o consideram um herói. Muntazer al-Zaidi, de 30 anos, que declarou-se inocente das acusações, disse ao tribunal em Bagdá: "O que fiz foi uma reação natural aos crimes cometidos contra o povo do Iraque." Do lado de fora da corte, a família de Zaidi e outros apoiadores revoltaram-se quando ouviram o veredicto. Um de seus irmãos desmaiou e sua irmã Ruqaiya caiu em lágrimas. gritando: "Abaixo a Maliki, o agente dos norte-americanos", disse a irmã do jornalista, referindo-se ao primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki. Zaidi ganhou fama internacional em dezembro, quando atirou seus sapatos contra Bush, que ordenou a invasão do Iraque em 2003. Além de jogar os sapatos, o repórter chamou o então presidente dos EUA de cachorro durante uma entrevista coletiva. Dhiaa al-Saadi, chefe da equipe de defesa de Zaidi, classificou a sentença como severa e afirmou que vai recorrer da decisão. O governo de Maliki, que estava ao lado de Bush durante a coletiva de imprensa e tentou bloquear um dos sapatos jogados por Zaidi, descreveu o incidente como um "ato bárbaro". No início de seu julgamento, em fevereiro, Zaidi afirmou que o fato de Bush ter rido ao falar dos feitos alcançados pelos EUA no Iraque o fez pensar na "morte de mais de um milhão de iraquianos, no desrespeito à santidade de mesquitas e lares, nos estupros a mulheres." Revoltado, ele tirou seus sapatos e os atirou um de cada vez contra Bush, gritando: "Este é um beijo de despedida do povo iraquiano, cachorro". Bush se esquivou rapidamente, e não foi atingido pelos sapatos. No Oriente Médio, acertar alguém com um sapato é considerado um insulto grave. PERDÃO? Os advogados de Zaidi não conseguiram convencer a corte a reduzir a acusação para insulto, em vez de agressão, a um chefe de Estado que visitava o país. O jornalista, que está preso desde dezembro, poderia pegar até 15 anos de detenção. Um analista político afirmou que o veredicto foi leve. "A maioria das pessoas apoiou Zaidi e gostou do que ele fez, então o veredicto reflete a opinião pública", afirmou Hazem al-Nuaimi. A emissora de televisão na qual Zaidi trabalhava, a Al-Baghdadiya, e um grupo de defesa a jornalistas agora depositam suas esperanças no recurso, ou em um eventual perdão. "Estamos confiantes em sua inocência, entendemos seus motivos e o clima criado pela ocupação", disse a emissora em comunicado transmitido pela televisão. O apoio a Zaidi no Iraque, onde a invasão liderada pelos EUA causou anos de violência sectária, não foi completo. Mas o jornalista também foi saudado no Iraque e no Oriente Médio como um herói. Sua ação contra Bush foi considerada por muitos como um ato de protesto, e atirar sapatos virou uma atitude famosa mundialmente. (Reportagem adicional de Aseel Kami e Khalid al-Ansary)

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