Restrições de Israel impedem economia palestina viável, diz Banco Mundial

Palestina continuará dependendo da ajuda estrangeira e será incapaz de sustentar um Estado

estadão.com.br,

16 de setembro de 2010 | 18h48

JERUSALÉM- Um relatório do Banco Mundial afirma nesta quinta-feira, 16, que a economia palestina continuará dependendo da ajuda estrangeira e será incapaz de sustentar um Estado enquanto as numerosas restrições israelenses não forem levantadas, segundo a agência de notícias AFP.

 

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A taxa de crescimento combinada da Cisjordânia e da Faixa de Gaza deve alcançar os 8% em 2010, principalmente graças a ajuda financeira estrangeira, segundo estudo publicado para a preparação de uma reunião do Comitê de Enlace Ad Hoc (AHLC), que coordena a ajuda dos países doadores da Palestina. O encontro acontecerá em 21 de setembro.

 

"Ao menos que sejam tomadas medidas em um futuro próximo para superar as travas restantes do desenvolvimento do setor privado e a um crescimento sustentável, a Autoridade Palestina continuará dependendo de doadores e de suas instituições, que seja qual for sua solidez, não poderá sustentar um Estado viável", afirma o texto.

 

O Banco Mundial enumera as restrições israelenses e afirma que "os obstáculos ao investimento privado na Cisjordânia são múltiplos".

 

A entidade financeira cita um "acesso severamente limitado a maior parte da terra e da água do território", a inacessibilidade ao "lucrativo mercado de Jerusalém leste", a "imprevisibilidade da capacidade dos investidores de entrar na Cisjordânia e em Israel", assim como a classificação israelense de matérias primas que podem ter uso militar, o que complica qualquer importação.

 

Em relação a Faixa de Gaza, "ainda é cedo para avaliar se o recente alívio parcial ao bloqueio reanimou a moribunda economia", mas "o impacto no setor privado será limitado enquanto a proibição de exportações continuar", diz o relatório.

 

Negociações

 

Palestinos e israelenses voltaram a se encontrar ontem, desta vez em Jerusalém, na residência oficial de Netanyahu. Um dia antes, os dois lados haviam se reunido no balneário de Sharm el-Sheikh, no Egito.

 

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estavam paralisadas há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e matou milhares de civis. As conversas só foram retomadas com a mediação do Egito e dos EUA.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu

 

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