Resultado final confirma ligeira vantagem de Livni em Israel

Kadima ficou com 28 cadeiras no novo Parlamento, enquanto Likud obteve 27; formação favorece Netanyahu

Agências internacionais,

12 de fevereiro de 2009 | 15h26

A apuração final dos resultados das eleições israelenses confirmaram que o partido centrista Kadima, da chanceler Tzipi Livni, obteve uma cadeira a mais no Parlamento do que o direitista Likud, do ex-premiê Benjamin Netanyahu. Na votação de terça-feira, o Kadima conquistou 28 assentos, contra 27 do Likud. Apesar da vitória de Livni, o Parlamento israelense - de 120 assentos - é formado majoritariamente por partidos linha-dura, o que facilitaria a Netanyahu formar uma coalizão governista e se tornar o novo primeiro-ministro de Israel.   Desde quarta-feira, os dois partidos buscam alianças. Para garantir o cargo de premiê, Netanyahu deve oferecer altos cargos de seu gabinete para o ultranacionalista Avigdor Lieberman, cujo partido foi o terceiro colocado nas eleições parlamentares, e ao Kadima. Segundo o jornal israelense Haaretz, a pasta de Finanças ainda seria oferecida ao líder do partido ultradireitista Israel Beiteinu (Israel Nossa Casa).   Veja também: Diversidade religiosa e ideológica influenciou o voto de cada região Perfil: Livni, a 'senhora limpa' da política israelense Perfil: Netanyahu tenta reconduzir direita israelense ao poder Enviado do 'Estado' comenta expectativas Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Quem tem medo de Avigdor Lieberman?  Conheça os principais partidos israelenses    Netanyahu e pessoas próximas se reunirão ao longo do dia com dirigentes de vários partidos de extrema direita e do bloco ultraortodoxo para garantir que têm o apoio de pelo menos 61 deputados quando o presidente, Shimon Peres, convocar a rodada de consulta para designar o primeiro-ministro. Livni tenta convencer seus interlocutores de partidos ortodoxos que a chefia do governo deve ficar nas mãos do partido mais votado e coloca a eles a possibilidade de um governo de união nacional sob sua direção.   Os resultados das eleições beneficiam Netanyahu, mas Livni também tem matematicamente a possibilidade de formar governo. Depende, para isso, do partido ultradireitista Israel Beiteinu, terceira força política, com 15 deputados. O desejo de Lieberman é ser ministro da Defesa, um cargo negado tanto pelo líder do Likud quanto pela do Kadima. As negociações dependem também de que se conheçam os resultados oficiais das eleições. A distribuição parlamentar divulgada representa 99,5% dos votos, e estão pendentes de apuração os do corpo diplomático, do Exército e da Marinha. Geralmente, não costuma haver variações, mas, devido à pouca diferença de votos, apenas cerca de 35 mil entre Kadima e Likud, essa pequena porcentagem poderia ser significativa.   A lei eleitoral israelense concede ao chefe do Estado a função de nomear o primeiro-ministro e, embora a tradição política costume dar o cargo ao candidato vencedor das eleições, neste caso Livni - que obteve apenas uma cadeira a mais que Netanyahu -, esta não parece ter apoio suficiente no Parlamento. A rodada de consultas do presidente com os líderes políticos começará na segunda-feira e, até então, os dois candidatos podem ir antecipando as negociações políticas.   O líder do Likud afirmou ao Haaretz que planeja pedir para que os partidos opositores coloquem suas diferenças políticas de lado e participem de um governo de coalizão, para o bem da unidade nacional. Apesar da pequena chance dos partidos se unirem, Livni afirmou que se esforçará para fazer valer a vontade de seus eleitores. Entretanto, a chanceler disse que não pagará "nenhum preço exorbitante" para que outro partidos participem de uma coalizão com o Kadima.   Nesta quinta, o ministro do Interior Meir Sheetrit afirmou que o Kadima não se unirá ao extremistas de direita liderados por Netanyahu, pois o partido não se permitiria participar de um governo com valores opostos ao que defende. "Não temos medo de ocupar o lado da oposição."   Decisão   O imigrante da Moldávia ultranacionalista Lieberman afirmou que já está decidido sobre quem quer ver no governo de Israel. Após se reunir com Netanyahu e Livni, afirmou que recomendará ao presidente Shimon Perez qual candidato acredita que deve ser o premiê. "Sei exatamente quem recomendarei ao presidente, mas não direi porque é muito cedo", afirmou. Acredita-se que Lieberman, com 15 cadeiras, será o fiel da balança na definição do próximo governo. Caso aceite unir-se a Tzipi, dará a ela a chance de conseguir apoio suficiente para tornar-se a nova primeira-ministra.   Fontes do Israel Beiteinu afirmaram na quarta-feira que o partido não participará de um governo de coalizão que o inclua os ultraortodoxos do Shas (de religiosos sefarditas). O Kadima é bem mais liberal no que diz respeito às negociações com os palestinos e ao tratamento aos árabes-israelenses do que o imigrante russo. Mas, se Lieberman é radical no discurso antiárabe, ele é considerado liberal no que diz respeito aos direitos civis. Laico, defende o fim do monopólio dos rabinos ortodoxos sobre o casamento no país, prometendo aprovar uma lei que crie a possibilidade de casamentos civis. Para tê-lo em sua coalizão, Tzipi pode prometer a Lieberman o apoio a essa lei. Em troca, ele aceitaria ficar de fora das negociações de paz com os palestinos e do relacionamento com os árabes-israelenses.   (Com Daniela Kresch, de O Estado de S. Paulo)

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