Reunião sobre sanções contra Irã foi 'construtiva', dizem embaixadores

Negociações começaram após China ter abandonado sua posição contra novas restrições a Teerã

08 de abril de 2010 | 20h41

Efe

 

NOVA YORK- Os embaixadores na ONU dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) e da Alemanha concluíram nesta quinta-feira, 8, uma reunião que classificaram como "construtiva" para ampliar as sanções ao Irã por seu programa nuclear.

 

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Os seis representantes diplomáticos discutiram o conteúdo de uma possível resolução do CS que imporia uma quarta rodada de sanções a República Islâmica. A reunião na Missão do Reino Unido da ONU em Nova York durou quase três horas.

 

"Foi uma reunião muito construtiva", disse o embaixador chinês, Li Baodong, na saída do encontro. Baodong indicou que as partes podem voltar a se reunir na semana que vem.

 

No entanto, o diplomata ressaltou que a política da comunidade internacional em relação a Teerã "está centrada na diplomacia", ainda que inclua a possibilidade de restrições.

 

O embaixador da Rússia, Vitaly Churkin, declarou que foi "um bom primeiro encontro", mas que "ainda há muito trabalho a fazer". "Ninguém quer impor sanções, todos preferimos uma solução diplomática", completou.

 

As negociações em Nova York começaram depois de a China ter abandonado em março sua oposição ao aumento de restrições econômicas internacionais sobre o Irã, um de seus principais fornecedores de petróleo, com quem mantém estreitas relações comerciais.

 

Os governos favoráveis a novas restrições argumentam que é necessário enviar uma mensagem ao Irã, que rechaçou várias ofertas para enriquecer seu urânio no exterior e não melhora sua colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

 

Fontes diplomáticas sinalizaram que a base das negociações será um documento elaborado pelos Estados Unidos em que são propostas sanções dirigidas particularmente contra as atividades econômicas da Guarda Revolucionária iraniana, devido a seu papel nas supostas atividades de proliferação nuclear do país.

 

A proposta americana também aumenta as restrições existentes indústrias navais iranianas, assim como a seus setores bancário e financeiro, além de penalizar empresas supostamente vinculadas com o programa nuclear de Teerã.

 

Ao contrário de ocasiões anteriores, os embaixadores das seis potências na ONU serão os encarregados de negociar desde um princípio ao conteúdo da resolução, já que antes essa responsabilidade recaía sobre os diretores políticos dos respectivos Ministérios de Exteriores.

 

Uma vez que os membros permanentes do Conselho de Segurança, com direito de veto, estão de acordo no texto do projeto da resolução, terão de convencer os outros dez membros não permanentes do órgão para que apoiem as sanções.

 

Entre eles, Brasil, Líbano e Turquia são no momento reticentes a uma nova rodada de restrições a Teerã, já que consideram que ainda há possibilidade para negociações e que um nova punição seria contraproducente.

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